Saúde

Mutações de câncer de pâncreas surgem ao longo da vida, alerta especialista

Embora novas terapias contra o gene KRAS representem avanços, especialista reforça que prevenção e estilo de vida reduzem danos celulares

Da redação
DA REDAÇÃO

16/07/2026 • 10:31 • Atualizado em 16/07/2026 • 10:43

Mutações de câncer de pâncreas acontecem ao longo da vida

Mutações de câncer de pâncreas acontecem ao longo da vida

Unsplash

A maioria das mutações genéticas relacionadas ao câncer de pâncreas não é herdada dos pais, mas surge de forma somática ao longo da vida durante o processo natural de divisão celular. O alerta é do médico, pesquisador e fundador do Instituto Genoma, Pedro Andrade, que chama a atenção para a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção em saúde coletiva. O câncer de pâncreas é classificado como um dos tumores mais silenciosos e agressivos da oncologia, sendo diagnosticado frequentemente em estágios avançados.

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O tema ganha evidência em decorrência dos recentes avanços da medicina de precisão, que passou a contar com novas terapias direcionadas a bloquear proteínas de mutações específicas do gene KRAS — alteração presente em mais de 90% dos tumores pancreáticos.

Para Andrade, embora a inovação científica seja um marco extraordinário que transforma perspectivas de tratamento, os sistemas de saúde ainda investem recursos de forma desproporcional para remediar as consequências em vez de evitar as causas.

O processo de replicação do DNA e o desgaste celular

Para compreender o desenvolvimento do tumor, o especialista diferencia as mutações germinativas, que são herdadas e estão presentes desde o nascimento, das chamadas mutações somáticas, adquiridas com o passar dos anos.

Diariamente, o organismo humano realiza bilhões de divisões celulares para manter tecidos e órgãos funcionando adequadamente. Nesse processo contínuo de cópia do DNA, erros de replicação podem ocorrer naturalmente.

Contudo, a velocidade e a frequência desses erros genéticos são diretamente influenciadas pelo estilo de vida e pela exposição ambiental. Dr. Pedro Andrade explica que o envelhecimento é um fator de desgaste biológico natural, mas certas condições metabólicas e hábitos nocivos funcionam como aceleradores de danos ao genoma.

Entre os principais fatores apontados que propiciam o surgimento de mutações somáticas estão:

  • O tabagismo e o consumo de álcool em excesso;
  • Diagnósticos de obesidade, diabetes e quadros de resistência à insulina;
  • O sedentarismo e distúrbios crônicos como a privação de sono;
  • Processos inflamatórios sistêmicos e exposição contínua a poluentes do meio ambiente.

O pesquisador destaca que nenhuma escolha isolada provoca o câncer, mas a saúde celular é moldada de maneira cumulativa pelas condições que oferecemos ao corpo todos os dias.

Desafios econômicos no acesso às terapias de precisão

As novas drogas focadas no gene KRAS representam um avanço molecular histórico, alcançando um alvo biológico que muitos cientistas consideravam impossível de atingir até poucos anos atrás.

Apesar do benefício terapêutico para milhares de pacientes, o acesso a esses medicamentos esbarra em um severo obstáculo econômico.

Grande parte dessas terapias de ponta possui custos de aquisição elevados, frequentemente ultrapassando dezenas de milhares de dólares por mês. Na visão de Pedro Andrade, essa barreira financeira reforça que a verdadeira revolução médica não está apenas na capacidade de corrigir o DNA após o surgimento da doença, mas sim em estruturar estratégias que reduzam o aparecimento de mutações evitáveis.

O especialista defende que a alfabetização em saúde, o ensino sobre alimentação e a prática de atividades físicas desde a infância continuam sendo as ferramentas mais eficientes e sustentáveis para o futuro da medicina.

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