
Bebê prematuro
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Além do “Novembro Azul”, esse mês é marcado pela campanha "Novembro Roxo", um movimento global dedicado à conscientização sobre a prematuridade. O mês inteiro é voltado para alertar sobre o parto prematuro – principal causa de mortalidade infantil antes dos 5 anos de idade – e os desafios enfrentados pelos bebês e suas famílias.
A campanha tem seu ápice no dia 17 de novembro, celebrado como o Dia Mundial da Prematuridade.
A escolha da cor roxa não é aleatória: ela simboliza a sensibilidade e a delicadeza dos bebês prematuros, ao mesmo tempo, em que representa a transformação e a complexidade da jornada que eles e seus pais enfrentam desde o nascimento.
No Brasil, instituições de saúde aproveitam a data para reforçar protocolos e, principalmente, destacar a importância do acolhimento familiar. O Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, enfatiza que o cuidado com o recém-nascido vai muito além da tecnologia neonatal, colocando a família como peça central da recuperação.
Bebê não completamente formado
O parto é considerado prematuro quando ocorre antes de 37 semanas completas de gestação. Esses bebês, muitas vezes, não estão com os sistemas respiratório e digestivo totalmente maduros, exigindo assistência especializada imediata.
“O prematuro não é só um bebê que nasceu pequeno: é um recém-nascido que ainda estava terminando de se organizar lá dentro do útero. Nosso trabalho é oferecer aqui fora o que ele ainda precisava como calor, proteção, nutrição e estímulos no tempo certo”, explica a Dra. Filomena Bernardes, neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana.
Segundo a especialista, o nascimento antecipado pode apresentar desafios respiratórios, alimentares e de desenvolvimento que exigem uma equipe multidisciplinar e uma estrutura de UTI Neonatal de alta complexidade.
A vida na UTI
Um dos pontos centrais da campanha do “Novembro Roxo” é o impacto emocional sobre os pais. O Hospital Santa Joana destaca que o cuidado não pode ser apenas técnico; ele deve ser, acima de tudo, emocional.
O nascimento prematuro quebra abruptamente o planejamento da família: o quarto do bebê está pronto, mas o recém-nascido está em uma incubadora na UTI; a mãe se recupera de um parto muitas vezes inesperado, e a rotina se transforma em idas e vindas ao hospital.
Por isso, a instituição busca "tirar os pais do lugar de visitantes" e trazê-los para o centro do cuidado diário.
“Quando a família entende o que está acontecendo, a ansiedade pode ser minimizada, o vínculo com o bebê é importante, a família é terapêutica”, afirma a Dra. Filomena.
Esse acolhimento inclui a presença participativa dos pais, desde o simples toque até a adoção do "método canguru" (contato pele a pele), além de explicações constantes sobre a evolução, os exames e os aparelhos.
"A melhor pessoa para aquele bebê"
O sentimento de culpa, especialmente materno, é uma realidade frequente. A Dra. Filomena reforça a importância de esclarecer que a prematuridade tem múltiplas causas, como doenças maternas (hipertensão, diabetes), gestações múltiplas ou infecções.
“Aquele que acabou de ter um prematuro precisa ouvir que continua sendo a melhor pessoa para aquele bebê. Mesmo se ele estiver cheio de fios e monitorado, ele reconhece sua presença”, reforça a médica.
Esse apoio se traduz em ações práticas, como orientação sobre a ordenha e manutenção da lactação mesmo com o bebê internado, além de apoio psicológico para lidar com o cansaço e o medo.
“Família de prematuros muitas vezes diz: ‘meu filho nasceu, mas eu não pude levá-lo para casa, não pude usar o enfeite da porta do quarto’. Dar espaço para o choro, explicar cada aparelho, mostrar que o bebê está recebendo todo o cuidado necessário, acalma e fortalece”, completa a neonatologista.
A união entre tecnologia de ponta e o cuidado humanizado é o que, segundo o Santa Joana, proporciona os melhores resultados. “A tecnologia presente no que há de mais atualizado, profissionais experientes e a participação conjunta da família é o que proporciona bons resultados”, destaca a Dra. Filomena.
A especialista reforça que o cuidado não termina na alta hospitalar. O Novembro Roxo também serve para lembrar que essas crianças precisarão de acompanhamento contínuo para garantir que eventuais impactos da prematuridade em seu desenvolvimento sejam tratados adequadamente.

