
Entenda como o óleo de peixe pode ser benéfico ao organismo
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Duas embalagens podem trazer “óleo de peixe” no rótulo e entregar quantidades muito diferentes dos nutrientes procurados. O número de cápsulas, portanto, diz menos sobre o produto do que a soma de EPA e DHA indicada na tabela nutricional. É essa concentração, somada à qualidade da matéria-prima, que ajuda a definir se o suplemento poderá atender ao objetivo de quem o utiliza.
Extraído principalmente de espécies como sardinha, anchova, cavalinha e arenque, o óleo de peixe contém os ácidos graxos EPA e DHA, integrantes da família do ômega-3. Isso não torna os dois termos sinônimos: ômega-3 é o nutriente, enquanto o óleo é uma de suas fontes. “É fundamental avaliar a concentração de EPA e DHA por dose e as certificações de qualidade e pureza, que ajudam a reduzir a exposição a contaminantes”, orienta a nutricionista Dra. Camila Aramuni.
Uma diretriz científica da American Heart Association concluiu que formulações prescritas de ômega-3, utilizadas na dose de 4 gramas diárias, podem reduzir essas taxas em cerca de 20% a 30%. Esse resultado, porém, não deve ser transferido automaticamente para qualquer suplemento vendido sem receita, pois as fórmulas prescritas apresentam composição e concentração específicas.
Cápsulas comuns não funcionam como um escudo universal contra infarto ou AVC, e seus resultados variam conforme o perfil de saúde, a dose e o tipo de ácido graxo utilizado. O benefício encontrado em uma formulação farmacêutica também não pode ser atribuído a todos os produtos disponíveis nas prateleiras.
A diferença entre as marcas aparece com clareza nos rótulos. Segundo o National Institutes of Health, uma cápsula que oferece 1.000 miligramas de óleo de peixe pode conter apenas cerca de 180 miligramas de EPA e 120 miligramas de DHA, embora essa composição varie bastante. Comprar pelo peso total do óleo, sem verificar quanto há de cada fração, pode criar uma falsa impressão de dose elevada.
Pureza, oxidação e forma química também interferem na escolha. Certificações independentes ajudam a verificar contaminantes e correspondência entre o rótulo e o conteúdo.
Produtos em formas de triglicerídeos naturais ou reesterificados costumam apresentar boa biodisponibilidade, mas nenhum desses critérios elimina a necessidade de indicação individualizada, especialmente entre pessoas que usam anticoagulantes ou apresentam doenças crônicas.
Peixes gordurosos continuam sendo a fonte alimentar preferencial porque entregam EPA e DHA acompanhados de proteínas, vitaminas e minerais. O suplemento pode ser útil quando o consumo é insuficiente ou existe uma finalidade clínica definida. Sua utilidade começa menos na promessa impressa na embalagem e mais na pergunta que deveria anteceder a compra: qual nutriente, em qual dose e para qual objetivo?

