
Divulgação/ PMC
Resumo
O verão no Brasil aumenta os casos de dengue devido ao calor e às chuvas, que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, alerta Melissa Falcão, médica infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia da Bahia.
A prevenção envolve o uso diário de repelente, eliminação semanal de focos de água e vacinação, como a Qdenga para crianças e a nova vacina do Butantan, aprovada pela Anvisa.
Durante a infecção, é essencial hidratar-se, evitar anti-inflamatórios, identificar sinais de alarme e buscar atendimento médico imediato, já que a falta de tratamento pode levar à forma grave e até à morte.
Com a chegada do verão, o Brasil volta a enfrentar um velho conhecido da saúde pública: a dengue. As altas temperaturas e o aumento das chuvas criam o cenário ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus.
Em entrevista ao Band.com.br, a médica infectologista Melissa Falcão, da Sociedade Brasileira de Infectologia da Bahia, explica por que a doença avança nessa época do ano, quais são os cuidados essenciais e os riscos de não tratar a infecção corretamente.
Por que os casos de dengue aumentam no verão?
Segundo a especialista, o verão reúne as condições perfeitas para o ciclo de vida do Aedes aegypti. “As altas temperaturas e a maior quantidade de chuvas facilitam a formação de locais com água parada, onde o mosquito deposita seus ovos”, afirma.
Além disso, o calor acelera o desenvolvimento do inseto. O período entre a fase de larva e o mosquito adulto — quando ele passa a picar e transmitir o vírus — se torna mais curto, ampliando rapidamente a população de mosquitos e, consequentemente, o número de casos da doença.
Como prevenir a dengue?
A prevenção envolve cuidados individuais e coletivos, que juntos têm grande impacto no controle da doença.
Uso de repelente
O repelente deve ser aplicado diariamente, desde o momento em que a pessoa acorda até a hora de dormir.
“O Aedes costuma picar principalmente no início da manhã e no final da tarde. Passar repelente só à noite protege mais contra o pernilongo comum, não contra o mosquito da dengue”, explica a médica.
A reaplicação deve seguir as orientações do fabricante.
Vacinação
A vacinação é uma estratégia individual que gera proteção coletiva. No Brasil, diferentes imunizantes foram aprovados ao longo dos anos. Atualmente, a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, foi incorporada ao SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta alto risco de internação.
Mais recentemente, a Anvisa aprovou a vacina do Instituto Butantan, de dose única e produção 100% nacional.
Segundo Melissa, esse imunizante deve permitir a ampliação da faixa etária atendida gratuitamente pelo Ministério da Saúde, aumentando a proteção da população.
Eliminação de focos de água parada
A maioria dos criadouros do mosquito está dentro ou ao redor das casas e locais de trabalho. A recomendação é fazer, ao menos uma vez por semana, uma vistoria no ambiente para eliminar qualquer acúmulo de água.
Entre os principais pontos de atenção estão:
- Calhas entupidas
- Pratos de plantas (devem ser preenchidos com areia ou terra)
- Caixas de geladeira e ar-condicionado
- Piscinas sem tratamento adequado
- Caixas d’água e tanques destampados
- Latas, garrafas e lixo descoberto
“Cada pessoa fazendo a sua parte gera um efeito coletivo muito grande”, destaca a infectologista.
Quais cuidados ter durante a infecção por dengue?
Ao apresentar febre, é fundamental procurar atendimento médico para o diagnóstico correto. Os sintomas mais comuns incluem:
- Febre alta
- Dor de cabeça e atrás dos olhos
- Dor intensa no corpo e nas articulações
- Manchas na pele, que podem coçar
- Náuseas, vômitos e diarreia
Com o diagnóstico confirmado, o principal cuidado é a hidratação.
O melhor tratamento para dengue é água
Em média, recomenda-se cerca de 60 ml de líquido por quilo de peso ao dia, quantidade que deve ser ajustada pelo médico, especialmente em pacientes com problemas cardíacos ou renais.
Outro alerta importante é não usar anti-inflamatórios.
Medicamentos como ibuprofeno, AAS, diclofenaco e naproxeno aumentam o risco de sangramentos e podem agravar o quadro. A orientação correta sobre medicamentos deve sempre vir de um profissional de saúde.
Depois de ter dengue, a pessoa fica imune por seis meses?
A especialista explica que não exatamente.
Existem quatro sorotipos do vírus da dengue (1, 2, 3 e 4). Ao ser infectado por um deles, o paciente adquire imunidade permanente apenas contra aquele sorotipo específico.
Além disso, ocorre uma imunidade cruzada temporária contra os outros tipos, que dura cerca de três meses, e não seis. Após esse período, a pessoa pode contrair dengue novamente, caso seja infectada por outro sorotipo.
Quais são as consequências mais graves do pós-dengue se não houver tratamento adequado?
A dengue evolui em três fases: febril, crítica e de recuperação. A maioria dos pacientes se recupera bem, mas a falta de hidratação e de acompanhamento médico pode levar à forma grave da doença.
Antes do agravamento, surgem os chamados sinais de alarme, que indicam risco iminente:
- Vômitos persistentes
- Dor abdominal intensa
- Acúmulo de líquidos no abdômen ou pulmões
- Sangramentos de mucosas (nariz, boca, sangramento vaginal fora do período menstrual)
- Aumento do hematócrito nos exames de sangue
- Alteração do nível de consciência, como sonolência excessiva ou irritabilidade
“Esses pacientes precisam ser internados imediatamente para hidratação venosa por, no mínimo, 48 horas”, alerta Melissa Falcão. Sem o tratamento adequado, o quadro pode evoluir para choque e levar à morte em 24 a 48 horas após o início dos sintomas graves.
Atenção e prevenção salvam vidas
A explosão dos casos de dengue no verão é previsível, mas também evitável. Informação, eliminação de focos do mosquito, vacinação, uso correto de repelentes e busca rápida por atendimento médico são medidas essenciais para reduzir casos graves e salvar vidas.
