Saúde

Por que os casos de dengue explodem no verão no Brasil

Altas temperaturas e chuvas favorecem o Aedes aegypti, e médica alerta para prevenção, vacinação e sinais de gravidade da dengue

GABRIELLE PEDRO

16/12/2025 • 12:05 • Atualizado em 16/12/2025 • 12:05

Divulgação/ PMC

Resumo

O verão no Brasil aumenta os casos de dengue devido ao calor e às chuvas, que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti, alerta Melissa Falcão, médica infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia da Bahia.

A prevenção envolve o uso diário de repelente, eliminação semanal de focos de água e vacinação, como a Qdenga para crianças e a nova vacina do Butantan, aprovada pela Anvisa.

Durante a infecção, é essencial hidratar-se, evitar anti-inflamatórios, identificar sinais de alarme e buscar atendimento médico imediato, já que a falta de tratamento pode levar à forma grave e até à morte.

Com a chegada do verão, o Brasil volta a enfrentar um velho conhecido da saúde pública: a dengue. As altas temperaturas e o aumento das chuvas criam o cenário ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus.

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Em entrevista ao Band.com.br, a médica infectologista Melissa Falcão, da Sociedade Brasileira de Infectologia da Bahia, explica por que a doença avança nessa época do ano, quais são os cuidados essenciais e os riscos de não tratar a infecção corretamente.

Por que os casos de dengue aumentam no verão?

Segundo a especialista, o verão reúne as condições perfeitas para o ciclo de vida do Aedes aegypti. “As altas temperaturas e a maior quantidade de chuvas facilitam a formação de locais com água parada, onde o mosquito deposita seus ovos”, afirma.

Além disso, o calor acelera o desenvolvimento do inseto. O período entre a fase de larva e o mosquito adulto — quando ele passa a picar e transmitir o vírus — se torna mais curto, ampliando rapidamente a população de mosquitos e, consequentemente, o número de casos da doença.

Como prevenir a dengue?

A prevenção envolve cuidados individuais e coletivos, que juntos têm grande impacto no controle da doença.

Uso de repelente

O repelente deve ser aplicado diariamente, desde o momento em que a pessoa acorda até a hora de dormir.

“O Aedes costuma picar principalmente no início da manhã e no final da tarde. Passar repelente só à noite protege mais contra o pernilongo comum, não contra o mosquito da dengue”, explica a médica.

A reaplicação deve seguir as orientações do fabricante.

Vacinação

A vacinação é uma estratégia individual que gera proteção coletiva. No Brasil, diferentes imunizantes foram aprovados ao longo dos anos. Atualmente, a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, foi incorporada ao SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que apresenta alto risco de internação.

Mais recentemente, a Anvisa aprovou a vacina do Instituto Butantan, de dose única e produção 100% nacional.

Segundo Melissa, esse imunizante deve permitir a ampliação da faixa etária atendida gratuitamente pelo Ministério da Saúde, aumentando a proteção da população.

Eliminação de focos de água parada

A maioria dos criadouros do mosquito está dentro ou ao redor das casas e locais de trabalho. A recomendação é fazer, ao menos uma vez por semana, uma vistoria no ambiente para eliminar qualquer acúmulo de água.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Calhas entupidas
  • Pratos de plantas (devem ser preenchidos com areia ou terra)
  • Caixas de geladeira e ar-condicionado
  • Piscinas sem tratamento adequado
  • Caixas d’água e tanques destampados
  • Latas, garrafas e lixo descoberto

“Cada pessoa fazendo a sua parte gera um efeito coletivo muito grande”, destaca a infectologista.

Quais cuidados ter durante a infecção por dengue?

Ao apresentar febre, é fundamental procurar atendimento médico para o diagnóstico correto. Os sintomas mais comuns incluem:

  • Febre alta
  • Dor de cabeça e atrás dos olhos
  • Dor intensa no corpo e nas articulações
  • Manchas na pele, que podem coçar
  • Náuseas, vômitos e diarreia

Com o diagnóstico confirmado, o principal cuidado é a hidratação.

O melhor tratamento para dengue é água

Em média, recomenda-se cerca de 60 ml de líquido por quilo de peso ao dia, quantidade que deve ser ajustada pelo médico, especialmente em pacientes com problemas cardíacos ou renais.

Outro alerta importante é não usar anti-inflamatórios.

Medicamentos como ibuprofeno, AAS, diclofenaco e naproxeno aumentam o risco de sangramentos e podem agravar o quadro. A orientação correta sobre medicamentos deve sempre vir de um profissional de saúde.

Depois de ter dengue, a pessoa fica imune por seis meses?

A especialista explica que não exatamente.

Existem quatro sorotipos do vírus da dengue (1, 2, 3 e 4). Ao ser infectado por um deles, o paciente adquire imunidade permanente apenas contra aquele sorotipo específico.

Além disso, ocorre uma imunidade cruzada temporária contra os outros tipos, que dura cerca de três meses, e não seis. Após esse período, a pessoa pode contrair dengue novamente, caso seja infectada por outro sorotipo.

Quais são as consequências mais graves do pós-dengue se não houver tratamento adequado?

A dengue evolui em três fases: febril, crítica e de recuperação. A maioria dos pacientes se recupera bem, mas a falta de hidratação e de acompanhamento médico pode levar à forma grave da doença.

Antes do agravamento, surgem os chamados sinais de alarme, que indicam risco iminente:

  • Vômitos persistentes
  • Dor abdominal intensa
  • Acúmulo de líquidos no abdômen ou pulmões
  • Sangramentos de mucosas (nariz, boca, sangramento vaginal fora do período menstrual)
  • Aumento do hematócrito nos exames de sangue
  • Alteração do nível de consciência, como sonolência excessiva ou irritabilidade

“Esses pacientes precisam ser internados imediatamente para hidratação venosa por, no mínimo, 48 horas”, alerta Melissa Falcão. Sem o tratamento adequado, o quadro pode evoluir para choque e levar à morte em 24 a 48 horas após o início dos sintomas graves.

Atenção e prevenção salvam vidas

A explosão dos casos de dengue no verão é previsível, mas também evitável. Informação, eliminação de focos do mosquito, vacinação, uso correto de repelentes e busca rápida por atendimento médico são medidas essenciais para reduzir casos graves e salvar vidas.

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