
Quer parar de fumar? Veja como buscar tratamento gratuito no SUS
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Com o Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, órgãos de saúde reforçam que fumantes de todo o país podem contar com tratamento integral e gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para abandonar o cigarro.
A estratégia combina aconselhamento profissional e medicamentos, abordagem que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pode mais do que dobrar as chances de sucesso na cessação.
A química do vício: por que parar de fumar sozinho é tão difícil
A OMS estima que a maioria das pessoas que usa tabaco gostaria de parar, mas esbarra na forte dependência provocada pela nicotina, substância que age rapidamente no cérebro, gera sensação de prazer e, depois, sintomas de abstinência como irritabilidade, ansiedade e aumento do apetite.
Sem apoio estruturado, muitas tentativas se concentram apenas na força de vontade e terminam em recaídas nas primeiras semanas.
Diante dessa dificuldade, parte dos fumantes recorre a supostos atalhos, especialmente os cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes. Esses dispositivos também contêm nicotina e emissões tóxicas e, conforme apontam estudos citados por órgãos de saúde internacionais, podem dificultar a cessação do tabagismo ao manter o vício e a exposição a substâncias nocivas.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a comercialização, a importação e a propaganda desses produtos.
Aconselhamento e remédios: a ciência para dobrar suas chances de sucesso
De acordo com a OMS, o aconselhamento individual ou em grupo aliado ao uso de medicamentos específicos pode mais do que dobrar a probabilidade de um fumante conseguir parar em comparação com tentativas feitas por conta própria.
Entre as opções estão terapias comportamentais estruturadas e fármacos como adesivos e gomas de nicotina ou outros produtos prescritos por profissionais habilitados, sempre de acordo com a avaliação clínica.
O Brasil é referência internacional no controle do tabaco ao seguir a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), tratado da OMS que prevê ações de prevenção e também de tratamento da dependência.
Pelo SUS, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo organiza uma rede que oferece, de forma integral e gratuita, atendimento multiprofissional, grupos de apoio e acesso a medicamentos padronizados para cessação.
Fumo passivo mata 1,6 milhão de pessoas por ano
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo passivo mata cerca de 1,6 milhão de pessoas por ano em todo o mundo.
A OMS afirma que não existe nível seguro de exposição à fumaça de segunda mão, formada pela combinação da fumaça que sai da ponta acesa do cigarro com a expirada pelo fumante.
Mesmo contatos rápidos em ambientes fechados já bastam para que substâncias tóxicas entrem na circulação de quem não fuma.
A exposição involuntária aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, e de problemas respiratórios graves, entre eles bronquite crônica, asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Como o vício em tabaco afeta o orçamento e gera pobreza
Órgãos internacionais de saúde alertam que o consumo de cigarros não compromete apenas o bem-estar físico, mas também desequilibra as finanças familiares e pode aprofundar situações de vulnerabilidade social no Brasil e no mundo.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o gasto contínuo com produtos de tabaco desvia parte relevante da renda de itens básicos, como comida, aluguel e contas de serviços, para sustentar a dependência da nicotina.
Esse efeito é mais intenso em países de baixa e média renda, onde vivem cerca de 80% dos 1,3 bilhão de usuários de tabaco no planeta, segundo a entidade.
Como acessar o programa de cessação gratuito do SUS
O acesso ao tratamento começa na atenção básica. Para iniciar o processo, o cidadão deve procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o posto de saúde mais próximo, informar que deseja parar de fumar e perguntar sobre o programa de cessação do tabagismo disponível no município.
As equipes da Estratégia Saúde da Família e outros profissionais da unidade avaliam o perfil do fumante e indicam o melhor plano de cuidado.
Em geral, o SUS oferece encontros em grupo ou atendimentos individuais, com sessões de orientação, acompanhamento periódico e, quando necessário, prescrição de medicamentos específicos para reduzir a fissura e os sintomas de abstinência.
Todo o processo é gratuito e disponível na rede pública ao longo de todo o ano, reforçando que buscar ajuda qualificada, e não soluções como os vapes, é o caminho mais seguro para deixar o cigarro de vez.

