Saúde

Retrospectiva 2025: saúde tem vacina contra dengue, IA e crise do metanol

Ano foi marcado ainda por mudanças em ministério e uma nova vacina

Guilherme Machado
GUILHERME MACHADO

18/12/2025 • 16:48 • Atualizado em 18/12/2025 • 16:48

Retrospectiva da Saúde tem vacina contra dengue, crise do metanol e IA como auxílio

Retrospectiva da Saúde tem vacina contra dengue, crise do metanol e IA como auxílio

Agência Brasil e Pexels

Resumo

O ano de 2025 foi marcado por novidades e desafios na saúde, incluindo a troca de comando no Ministério da Saúde, com Alexandre Padilha assumindo o lugar de Nísia Trindade e priorizando o programa Agora Tem Especialistas para reduzir filas no SUS, além da atualização das diretrizes nacionais de hipertensão, que passaram a considerar pressões de 12x8 como pré-hipertensão.

O uso da inteligência artificial avançou no setor, sendo aplicado em exames de hemograma para identificar câncer de intestino, em pesquisas para substituir exames de sangue pelo suor e na descoberta de novos medicamentos; enquanto isso, a crise do metanol causou 60 casos de intoxicação e 16 mortes no país, levando o Ministério da Saúde a criar uma Sala de Situação Nacional e provocando queda no consumo de bebidas alcoólicas.

O ano também foi destaque com o Nobel de Medicina concedido aos cientistas Mary E. Brunkow, Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi por descobertas sobre células T reguladoras e o gene FOXP3, abrindo caminhos para novos tratamentos contra câncer e doenças autoimunes, e pelo lançamento da Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue, destinada a pessoas de 12 a 59 anos e capaz de proteger por cerca de cinco anos.

O ano de 2025 foi repleto de novidades e também desafios no meio da saúde. Com a inteligência artificial (IA) sendo usada em novos exames e crises como a do metanol, mas uma vez o tema ficou em evidência ao longo de todo o ano. Além disso, o país ganhou a primeira vacina em dose única contra a dengue.

Compartilhar

Mudanças no Ministério da saúde

Logo no começo do ano, a área da saúde teve uma mudança importante no Brasil, uma vez que a ministra Nísia Trindade deixou o ministério e foi substituída por Alexandre Padilha, até então chefe do Ministério das Relações Institucionais.

Segundo relatos, o presidente Lula queria alguém com perfil político e que fosse mais capaz de divulgar os feitos da pasta, algo que foi destacado pela própria Nísia.

Ao assumir o ministério, Padilha teve como uma de suas grandes bandeiras o programa Agora Tem Especialistas, que tem como objetivo reduzir o tempo de espera para atendimentos especializados no SUS.

IA a serviço da saúde

2025 também foi um ano extremamente importante para o desenvolvimento de novas tecnologias que ajudam no combate e na prevenção a doenças.

Pesquisadores da startup brasileira Huna e do Grupo Fleury, por exemplo, conseguiram usar a IA em exames simples de hemograma par identificar padrões que podem acusar câncer de intestino, o que já permitiria que pacientes fizessem rapidamente uma investigação mais apurada.

Já um artigo da Universidade de Tecnologia de Sydney (UTS), da Austrália, mostrou como, por meio da IA, pode ser possível substituir o exame de sangue e descobrir muitas informações por meio de estudos com o suor das pessoas.

Modelos que se valem da IA também começaram a ser usados para auxiliar na descoberta de medicamentos.

Novas diretrizes para hipertensão

Houve também uma alteração importante em relação a diretrizes nacionais de saúde. A Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou os parâmetros para diagnóstico da hipertensão, e agora milhões de brasileiros que antes eram considerados saudáveis entraram oficialmente no grupo de risco.

Pela nova diretriz, pressões a partir de 12x8 já são classificadas como pré-hipertensão, exigindo atenção médica e mudanças no estilo de vida.

Até então, esse valor era interpretado como ótimo. No entanto, com o avanço das pesquisas e o aumento dos casos de doenças cardiovasculares, os especialistas decidiram antecipar o alerta e fortalecer a prevenção.

Segundo a entidade, a nova medida pretende evitar que os quadros evoluam para hipertensão estabelecida.

Crise do Metanol

Em setembro de 2025, explodiu no país uma das maiores crises recentes no que diz respeito à saúde pública. Foram registrados dezenas de casos de intoxicação por metanol, um álcool altamente tóxico, por meio de bebidas alcoólicas adulteradas.

Foram registradas mortes e casos de cegueira provocados pelas intoxicações e embora os primeiros casos tenham se concentrado em São Paulo, logo foram registradas suspeitas em estados como Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul

Ao todo, até dezembro, foram 60 confirmados em todo o Brasil, com a maioria sendo em São Paulo, um total de 50. Foram registradas 16 mortes.

O Ministério da Saúde criou uma Sala de Situação Nacional para lidar com a crise e o ministro Alexandre Padilha chegou a informar que, em setembro, os casos de intoxicação por metanol em São Paulo equivaliam à média do ano no país.

A crise gerou um medo nacional e teve um efeito direito nas vendas de bebidas alcoólicas. O setor de bares, por exemplo, viu o movimento reduzir.

Além de expor falhas de rastreabilidade e controle do setor de bebidas alcoólica, até hoje origem do problema não foi totalmente esclarecida.

Nobel de Medicina

O ano também foi marcado pela vitória de três cientistas ao prêmio Nobel de Medicina: Mary E. Brunkow, Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi, que empreenderam estudos sobre a tolerância imunológica periférica.

Eles descobriram que células T reguladoras (Tregs) e o gene FOXP3 podem agir como freio para o sistema imunológico e o impedirem de atacar tecidos saudáveis do corpo.

Por meio disso, foi possível iniciar análises sobre novos tratamentos contra câncer e doenças autoimunes.

Vacina de dose única contra a dengue

A luta contra a dengue também teve um avanço importante em 2025 frente ao aumento de casos no país. O Butantan anunciou o registro da vacina Butantan-DV, produzida pelo próprio instituto e a primeira de dose única contra a doença em todo o mundo.

Ainda segundo a instituição, o imunizante protege contra os quatro tipos de vírus e será destinado a pessoas entre 12 e 59 anos.

De acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, estudos demonstram que os voluntários que tomaram a vacina ficaram protegidos da dengue por cerca de cinco anos.

Tópicos relacionados