Saúde

Avanço nos casos de sarampo liga alerta às vésperas da Copa do Mundo 2026

Com maior circulação de turistas, autoridades temem avanço da doença em regiões com baixa vacinação

Alessandra Petraglia
ALESSANDRA PETRAGLIA

12/04/2026 • 12:20 • Atualizado em 12/04/2026 • 12:20

Sarampo

Sarampo

Reprodução

A menos de 90 dias da Copa do Mundo de 2026, um outro tema começa a ganhar espaço fora dos estádios: o avanço do sarampo nas Américas. Com milhões de turistas circulando entre países durante o evento, autoridades de saúde veem risco de aumento na transmissão de uma doença altamente contagiosa, especialmente em regiões com baixa cobertura vacinal.

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Dados da Sala Digital mostram que perguntas como “sarampo é perigoso?”, “vacina do sarampo reação” e “sintomas de sarampo em criança” tiveram um aumento nas buscas no Google no Brasil quando as pessoas procuram informações sobre a doença.

Ainda assim, a vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, caxumba e rubéola — aparece apenas na 20ª posição entre as mais buscadas no país, atrás de imunizantes como Covid, dengue e gripe.

Países em alerta e queda na vacinação

O cenário preocupa principalmente nos países que vão sediar a Copa. Segundo boletim da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS), em 2025, o México liderou os registros na região, com mais de 6 mil casos, seguido pelo Canadá (mais de 5 mil) e pelos Estados Unidos (mais de 2 mil).

A queda nas taxas de vacinação ajuda a explicar esse avanço. Para evitar a circulação do vírus, a Organização reforça que é necessário que pelo menos 95% da população esteja imunizada com duas doses. Nas Américas, no entanto, a cobertura ficou abaixo disso — cerca de 89% na primeira dose e apenas 79% na segunda.

Por que o sarampo preocupa tanto?

O sarampo é um dos vírus mais contagiosos que existem. Ele se espalha pelo ar, por gotículas e aerossóis, e pode permanecer ativo por até duas horas em ambientes fechados.

Os sintomas incluem febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite. Em casos mais graves, pode evoluir para pneumonia, encefalite e até levar à morte — não só em crianças, mas também em adultos.

Brasil reforça barreiras

Apesar do cenário internacional, o Brasil mantém o status de livre da circulação do sarampo, reconquistado em 2024. Ainda assim, o alerta é máximo. Até o momento, dois casos da doença foram registrados no país, ambos contraídos no exterior.

Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, em entrevista à Agência Brasil, o país tem intensificado ações de prevenção. “Por conta do cenário internacional, o Ministério está em alerta máximo. Nós vamos manter essa certificação, mas, para isso, precisamos continuar vacinando a população”, ressalta.

Entre as medidas estão campanhas em áreas de fronteira, vigilância ativa e bloqueio vacinal rápido em casos suspeitos, estratégia que busca conter a disseminação antes que ela avance.

A vacinação é a melhor forma de proteção para a doença e é oferecida gratuitamente pelo SUS para pessoas de 12 meses a 59 anos.

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