Saúde

Vilã ou heroína? Como a manteiga pode blindar sua imunidade

Gordura láctea concentra vitamina A e pode superar ultraprocessados em nutrientes

Da redação
DA REDAÇÃO

02/07/2026 • 18:00 • Atualizado em 02/07/2026 • 18:00

Vilã ou heroína? Como a manteiga pode blindar sua imunidade

Vilã ou heroína? Como a manteiga pode blindar sua imunidade

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Em meio a debates sobre alimentação saudável, bases oficiais mostram que a manteiga reúne características nutricionais que a diferenciam de muitos substitutos industriais, sobretudo pela alta concentração de vitamina A.

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Frequentemente apontada apenas pelo teor de gordura, essa gordura láctea tradicional volta ao centro da discussão quando se analisa a densidade de micronutrientes e o grau de processamento, critérios fundamentais para orientar o consumo consciente.

Por que a manteiga é uma campeã invisível de vitamina A

Dados da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), desenvolvida pela USP em parceria com o FoRC, indicam que a manteiga apresenta entre 924mcg e 1013mcg de retinol por 100 g.

Esse patamar coloca o alimento entre as fontes mais concentradas de vitamina A pré-formada na dieta brasileira, superando largamente a maioria das margarinas e cremes vegetais disponíveis no mercado.

Como produto derivado diretamente do leite, a manteiga preserva vitaminas lipossolúveis presentes na gordura láctea, entre elas o retinol.

Na prática, pequenas porções diárias contribuem para o aporte de vitamina A em conjunto com outras fontes, como fígado, ovos e alimentos ricos em carotenoides, a exemplo de cenoura e abóbora.

Segundo o portal eLENA, da Organização Mundial da Saúde (OMS), a vitamina A é essencial para a integridade das mucosas, a manutenção das barreiras epiteliais e o adequado funcionamento do sistema imunológico.

Os órgãos de saúde ainda destacam que o nutriente participa da resposta imune a infecções e da renovação celular, o que justifica a preocupação global em prevenir a deficiência, sobretudo em crianças e gestantes.

Infográfico explicativo com o título "Como identificar alimentos ultraprocessados no mercado?". O conteúdo ensina a analisar o rótulo dos produtos, destacando a importância de checar a lista de ingredientes e fornecendo exemplos de termos comuns e aditivos químicos que caracterizam um item ultraprocessado.

Manteiga vs. margarina: tudo o que você precisa saber

O Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, classifica a manteiga como ingrediente culinário, obtido a partir de um alimento in natura, enquanto enquadra a maior parte das margarinas modernas na categoria de alimentos ultraprocessados, por envolverem formulações complexas e uso intensivo de aditivos.

A Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO) mostra que a manteiga contém cerca de 49,2 g a 51,5 g de ácidos graxos saturados por 100 g.

Em porções usuais, de 5 g a 10 g (1 a 2 colheres de chá), esse valor se reduz, mas permanece relevante para o total de gordura saturada do dia.

Já muitas margarinas utilizam óleos interesterificados para obter textura firme à temperatura ambiente. Esses óleos passam por processos químicos nas cadeias de ácidos graxos, caracterizando um tipo de processamento exclusivo da indústria.

Conforme apontam as tabelas de ácidos graxos da TACO, essas formulações tendem a fornecer pouca ou nenhuma vitamina naturalmente presente, dependendo de fortificação para incluir micronutrientes.

Na visão de nutricionistas, essa diferença de origem e processamento pesa na balança. A recomendação geral é priorizar ingredientes culinários e alimentos minimamente processados, avaliando rótulos e evitando depender de produtos que combinam gorduras modificadas, aromatizantes, corantes e outros aditivos para imitar o sabor da gordura láctea.

O que a OMS diz sobre gorduras e micronutrientes essenciais

As diretrizes da OMS sobre vitamina A, consolidadas em revisões no portal eLENA, reforçam que o nutriente é crítico para a saúde ocular, o desenvolvimento infantil e a defesa contra agentes infecciosos.

Em contextos de déficit, a organização recomenda estratégias como suplementação e fortificação de alimentos para garantir o aporte mínimo diário.

Quando o assunto são as gorduras, a OMS orienta que o consumo de ácidos graxos saturados não ultrapasse uma fração limitada da energia total da dieta, com preferência pelo aumento de gorduras insaturadas, como as presentes em óleos vegetais, castanhas, sementes e peixes.

A entidade destaca que o risco cardiovascular depende do padrão alimentar como um todo, e não de um único alimento isolado.

Para o Guia Alimentar para População Brasileira, o uso de manteiga em pequenas quantidades, para finalizar legumes, raízes ou preparações caseiras, pode se inserir em um padrão de alimentação baseado em alimentos in natura e minimamente processados.

O ponto central é não somar diversas fontes de gordura saturada no mesmo dia e manter porções moderadas.

Na prática, isso significa que a manteiga não precisa ocupar o papel de vilã. Consumida com moderação e em combinação com frutas, verduras, grãos integrais e proteínas de boa qualidade, ela pode contribuir para o aporte de vitamina A e de outros nutrientes presentes na gordura do leite.

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