
Evento debate estratégias de tratamento para cânceres femininos
Pixabay
O aumento dos casos de tumores ginecológicos no Brasil acende um alerta importante sobre a saúde da mulher. Ao mesmo tempo, traz uma perspectiva positiva: os avanços no diagnóstico e no tratamento dessas doenças têm permitido melhores resultados e mais qualidade de vida para as pacientes.
Cânceres como os de colo do útero, ovário e endométrio seguem entre os principais desafios da oncologia, mas a evolução científica tem mudado de forma significativa esse cenário, com novas abordagens terapêuticas, como a imunoterapia, por exemplo.
Nesse contexto, especialistas brasileiros e internacionais se reúnem nos dias 27 e 28 de março, em São Paulo, para o 12º Simpósio Internacional de Ginecologia Oncológica, com a coordenação do médico oncologista Fernando Maluf, Diretor Médico Associado do Centro de Oncologia da BP, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Einstein Hospital Israelita e cofundador do Instituto Vencer o Câncer. O encontro vai discutir temas centrais para o presente e o futuro da área.
Entre os destaques está o câncer de colo do útero, com a apresentação de estudos em andamento, incluindo uma pesquisa brasileira que pode mudar o padrão de tratamento da doença localmente avançada. “A proposta avalia o uso de imunoterapia antes das abordagens tradicionais, como quimioterapia e radioterapia, o que pode representar um avanço importante”, ressalta Maluf.
Também serão debatidas novas estratégias terapêuticas, como os chamados anticorpos conjugados a drogas, que atuam de forma mais direcionada ao tumor, aumentando a eficácia e reduzindo danos a células saudáveis. Além disso, especialistas vão discutir caminhos para a erradicação do câncer de colo do útero no país, com foco em vacinação em massa contra o HPV e no uso de testes moleculares para detecção precoce do vírus.
A programação inclui ainda discussões sobre o papel da genética na identificação de famílias de maior risco para cânceres ginecológicos, como os de ovário e mama. “O rastreamento dessas populações e a adoção de medidas preventivas, incluindo cirurgias em casos selecionados, são estratégias que vêm ganhando espaço no cuidado oncológico”, afirma Fernando Maluf.
Outros temas relevantes envolvem prevenção, uso de terapias hormonais em pacientes com histórico de câncer ginecológico e o papel de medicamentos no controle do risco da doença.
No campo do câncer de ovário, os debates devem destacar novas drogas, incluindo imunoterapias e terapias-alvo, além de abordagens inovadoras, como a quimioterapia
administrada diretamente no abdômen para aumentar a eficácia do tratamento. Já no câncer de endométrio, o foco estará em terapias mais modernas e em cirurgias cada vez menos invasivas, contribuindo para uma recuperação mais rápida e melhores desfechos.

