
Pessoas que já tiveram diagnóstico de câncer não devem ser doadores de medula óssea
Fernando Zhiminaicela/Pixabay
A doação de medula óssea é um gesto de solidariedade que pode salvar vidas, mas ainda desperta muitas dúvidas entre a população. Nem todas as pessoas estão aptas a se tornarem doadoras, e uma das perguntas mais frequentes é: quem já teve câncer pode doar medula óssea?
A medula óssea é um tecido localizado no interior dos ossos, responsável pela produção das células sanguíneas essenciais ao funcionamento do organismo. O transplante de medula óssea, também conhecido como transplante de células-tronco hematopoiéticas, é indicado no tratamento de doenças graves como leucemias, linfomas, aplasia medular e algumas imunodeficiências.
Em muitos casos, o sucesso do procedimento depende da identificação de um doador compatível, que pode ser um familiar ou um voluntário cadastrado no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME).
De forma geral, podem se cadastrar como doadores pessoas entre 18 e 35 anos, em boas condições de saúde e sem doenças crônicas graves. No entanto, indivíduos que já tiveram câncer são, em regra, considerados inaptos para a doação. As exceções são os casos de câncer de pele do tipo carcinoma basocelular e câncer de colo do útero, desde que o tratamento tenha sido realizado exclusivamente com cirurgia.
Mesmo quando a doença está em remissão, a doação não é autorizada. A restrição existe para reduzir riscos e garantir que a medula doada esteja plenamente saudável. A principal preocupação é a segurança do receptor, já que a medula de alguém que teve câncer pode apresentar alterações celulares ou predisposições que representem risco ao paciente transplantado.
Essa contraindicação abrange praticamente todos os tipos de câncer, tanto hematológicos, como leucemias e linfomas, quanto tumores sólidos, como câncer de mama, próstata ou intestino.
Para quem não se enquadra nos critérios de doação, ainda é possível contribuir de outras formas. Divulgar campanhas, incentivar pessoas saudáveis a se cadastrarem no REDOME e reforçar a importância de manter os dados atualizados são ações fundamentais para ampliar as chances de compatibilidade e salvar vidas. Informar também é uma forma de ajudar!
Dr Breno Gusmão - Onco-Hematologista na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer e do Comitê Médico da Abrale – Associação Brasileira de Câncer do Sangue.

