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Abate de gado ultrapassa 10 milhões de cabeças no 1º trimestre de 2026

Destaque para o setor bovino é o abate histórico de fêmeas, que atingiu 49,9% de participação; captação de leite também alcança volume inédito

VIVIANE TAGUCHI

16/06/2026 • 11:43 • Atualizado em 16/06/2026 • 11:43

Abates superam registros históricos para três meses desde 1997

Abates superam registros históricos para três meses desde 1997

Wenderson Araújo/CNA

O volume de abates de bovinos, suínos e frangos no Brasil registrou o melhor desempenho para um primeiro trimestre em toda a série histórica, iniciada em 1997. De acordo com dados das Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, divulgados nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor pecuário nacional apresentou forte crescimento na comparação com o mesmo período do ano anterior.

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No primeiro trimestre de 2026, os estabelecimentos sob algum tipo de inspeção sanitária abateram 10,29 milhões de cabeças de bovinos. O número representa uma alta de 3,3% em comparação com os três primeiros meses de 2025. Na comparação trimestral, frente ao quarto trimestre do ano passado, o setor registrou uma redução de 6,9%.

A produção totalizou 2,63 milhões de toneladas de carcaças bovinas no período, volume 5,1% maior do que o produzido no mesmo intervalo de 2025. Na comparação com os três meses imediatamente anteriores, a queda foi de 10,3%.

Alta no descarte de fêmeas impulsiona setor bovino

O gerente de Pecuária do IBGE, Octávio Oliveira, explicou que o período foi marcado pelo avanço do abate de fêmeas, cuja participação atingiu o recorde de 49,9%. Segundo o especialista, o comportamento sinaliza a retomada do crescimento do descarte de matrizes no mercado de gado, após dois trimestres consecutivos de queda.

Entre as Unidades da Federação, o estado de Mato Grosso mantém a liderança nacional na atividade de pecuária bovina, sendo responsável por 17,5% do total de abates do país. São Paulo aparece na segunda posição com 11,6%, seguido por Goiás (9,2%) e Pará (9,1%).

A atividade de suinocultura também registrou desempenho histórico para um primeiro trimestre, com 15,27 milhões de cabeças de suínos abatidas. O resultado indica um avanço de 5,5% em relação ao trimestre equivalente de 2025 e uma estabilidade frente ao período imediatamente anterior, com leve recuo de 0,1%. O peso acumulado das carcaças de suínos somou 1,43 milhão de toneladas, um aumento anual de 6,9%.

Santa Catarina continua como o principal polo produtor de suínos do Brasil, concentrando 28,1% da participação nacional. O estado sulista é seguido pelo Paraná, que detém 20,9% da atividade, e pelo Rio Grande do Sul, com 17,8%.

No segmento de avicultura, o abate de frangos somou 1,71 bilhão de cabeças nos primeiros três meses de 2026. O montante supera em 3,6% o obtido no primeiro trimestre do ano passado, embora represente uma queda de 0,5% na comparação com o quarto trimestre de 2025. O peso acumulado das carcaças de frango atingiu 3,73 milhões de toneladas, o que significa um acréscimo de 6,9% na comparação anual.

O Paraná lidera a produção avícola no país, respondendo por 35,0% do total nacional. Santa Catarina ocupa a segunda posição com 13,3%, o Rio Grande do Sul soma 11,8% e São Paulo fecha a lista dos principais estados produtores com 10,9%.

Captação de leite bate recorde e preço ao produtor cai

A aquisição de leite cru feita por estabelecimentos industriais atuantes sob algum tipo de inspeção sanitária somou 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026. O volume é o maior já registrado para o período em toda a série histórica do IBGE, representando um avanço de 2,6% frente ao primeiro trimestre de 2025. Em relação ao quarto trimestre do ano anterior, houve recuo de 8,0%.

O Paraná registrou o maior aumento absoluto no volume de captação de leite cru, com um acréscimo de 88,74 milhões de litros. O Rio Grande do Sul avançou 60,24 milhões de litros, seguido por Santa Catarina (+44,56 milhões), Minas Gerais (+26,63 milhões) e Ceará (+12,76 milhões).

Apesar do volume recorde coletado pela indústria, o preço líquido médio pago aos produtores rurais ficou em R$ 2,24 por litro, valor 18,8% inferior ao praticado no primeiro trimestre de 2025. Conforme informou o gerente do IBGE, Octávio Oliveira, o valor apresentou uma tendência de valorização ao longo dos meses do trimestre, subindo de R$ 2,10 em janeiro para R$ 2,44 em março.

Produção de ovos cresce e mercado de couro apresenta estabilidade

A avicultura de postura registrou a produção de 1,21 bilhão de dúzias de ovos de galinha entre janeiro e março de 2026. O resultado demonstra um incremento de 0,4% em comparação ao mesmo intervalo de 2025, embora tenha apresentado retração de 3,5% frente ao quarto trimestre do ano passado.

O estado de São Paulo lidera a atividade de postura no Brasil, concentrando 24,6% da produção nacional de ovos. Minas Gerais ocupa o segundo posto com 10,2%, o Paraná soma 9,8% e o Espírito Santo responde por 7,9% do total.

Os curtumes investigados pela Pesquisa Trimestral do Couro, que processam pelo menos 5.000 unidades inteiras de couro cru bovino por ano, declararam o recebimento de 10,75 milhões de peças inteiras no primeiro trimestre de 2026. O montante representa estabilidade na comparação anual e queda de 3,3% frente ao trimestre imediatamente anterior.

Goiás lidera o processamento de couro cru no país, com 19,0% da participação nacional. Mato Grosso aparece na segunda posição com 16,8%, seguido por Mato Grosso do Sul, que detém 12,1% do mercado nacional.