
Expodireto Cotrijal, em Não-me-Toque (RS) começa nesta segunda-feira (9)
Assessoria de Imprensa
A abertura da 26ª Expodireto Cotrijal, realizada nesta segunda-feira (09) em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, foi marcada por uma manifestação de produtores rurais. O ato, intitulado "Luto pelo Agro", reuniu cerca de 300 agricultores para denunciar a grave crise financeira que atinge o setor e cobrar medidas urgentes do governo e de instituições financeiras para o endividamento acumulado.
O protesto utilizou uma simbologia de impacto para atrair atenção às dificuldades no campo. Os manifestantes realizaram um "cortejo fúnebre" que percorreu um trajeto de aproximadamente 7 quilômetros, partindo da comunidade de Invernadinha até a entrada do parque da feira. Durante o percurso, os agricultores carregaram cruzes pretas e um caixão simbólico coberto com a bandeira do Rio Grande do Sul, representando o que chamam de "morte" da capacidade produtiva devido às sucessivas quebras de safra.
Entenda as reivindicações do setor
A pauta central do movimento é a securitização das dívidas rurais contraídas entre os anos de 2021 e 2025. Os produtores alegam que o endividamento tornou-se insustentável após períodos de estiagem e eventos climáticos adversos que comprometeram a produtividade gaúcha nos últimos anos. A securitização, para o produtor rural, funciona como um reescalonamento da dívida, transformando débitos de curto prazo em compromissos de longo prazo com juros subsidiados.
Além disso, o grupo critica o descumprimento do Manual de Crédito Rural e da Súmula 298 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esse dispositivo jurídico assegura ao produtor o direito de prorrogar o pagamento de seus débitos rurais sempre que houver frustração de safra ou dificuldade de comercialização, independentemente da vontade da instituição financeira, desde que comprovada a incapacidade de pagamento.
Apoio institucional e repercussão política
O movimento recebeu apoio público da organização do evento. O presidente da Expodireto Cotrijal, Nei César Manica, manifestou solidariedade aos agricultores durante a cerimônia de abertura. Segundo Manica, a feira atua como uma "caixa de ressonância" para os problemas do setor, servindo de palco para que as dificuldades cheguem às autoridades competentes.
Até o momento, não houve uma resposta oficial detalhada do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) ou do Governo Federal sobre as demandas específicas protocoladas durante o ato em Não-Me-Toque.
A Expodireto Cotrijal acontece em Não-me-Toque até a próxima sexta-feira (13), e é uma das maiores vitrines tecnológicas do agronegócio na América Latina, mas o clima político e as cobranças por crédito devem pautar as discussões nos pavilhões ao longo da semana.
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