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Agricultura urbana: fezes de cães e gatos são proibidas na compostagem

Especialistas alertam para riscos de contaminação por patógenos e explicam quais tipos de esterco podem ser usados com segurança na produção de adubo

Da redação
DA REDAÇÃO

11/01/2026 • 08:40 • Atualizado em 11/01/2026 • 08:40

Fezes de pets como cães e gatos não devem ser usadas em composteiras

Fezes de pets como cães e gatos não devem ser usadas em composteiras

Imagem gerada por IA

Resumo

A proibição do uso de fezes de cães e gatos na compostagem doméstica é recomendada por órgãos técnicos como a Emater-MG, devido ao alto risco de contaminação por parasitas e bactérias que podem sobreviver ao processo e afetar a saúde humana.

A impossibilidade de atingir temperaturas elevadas e constantes em composteiras caseiras impede a eliminação eficaz de patógenos presentes nas fezes dos pets, enquanto resíduos de medicamentos veterinários podem prejudicar a microvida do solo e comprometer a decomposição dos materiais orgânicos.

A recomendação para compostagem doméstica privilegia o uso de esterco curtido de animais herbívoros (boi, cavalo, galinha e coelho), além de restos vegetais, evitando riscos sanitários e garantindo uma nutrição segura para plantas e hortas urbanas.

A prática da compostagem doméstica é uma excelente alternativa para reduzir o lixo orgânico e nutrir o solo, mas exige cuidados sanitários rigorosos. Segundo orientações técnicas de órgãos como a Emater-MG e manuais de gestão de resíduos sólidos, a utilização de fezes de animais carnívoros domésticos — especificamente cães e gatos — é estritamente proibida em sistemas caseiros, devido ao alto risco de contaminação por parasitas e bactérias que podem sobreviver ao processo e afetar a saúde humana.

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O perigo invisível: bactérias e parasitas

A compostagem é um processo biológico de valorização da matéria orgânica. No entanto, nem todo resíduo natural deve ir para a pilha de compostagem.

A restrição ao uso de dejetos de pets se deve à natureza biológica desses animais. As fezes de cães e gatos são vetores comuns de patógenos agressivos. Entre os principais riscos apontados por técnicos da Emater-MG, destacam-se:

Parasitas: Como o Toxocara canis, responsável pela infecção conhecida popularmente como bicho-geográfico.

Bactérias: Presença elevada de E. coli e Salmonella.

Se esse material for transformado em adubo e utilizado em uma horta, por exemplo, há um risco real de contaminar verduras e legumes, fechando um ciclo de infecção que pode atingir a família que consome esses alimentos.

A questão da temperatura

Uma dúvida comum entre os praticantes da agricultura urbana é: "A compostagem não mata as bactérias?". A resposta técnica é: depende da temperatura, e é aí que mora o perigo.

Em sistemas industriais de tratamento de resíduos, as temperaturas são controladas e mantidas elevadas (acima de 60°C ou 70°C) por longos períodos, o que garante a higienização do composto. Já nas composteiras domésticas (seja em leiras no jardim ou minhocários), dificilmente se atinge ou se mantém essa temperatura de forma constante e homogênea. Sem esse calor intenso, os ovos de parasitas e cistos de bactérias presentes nas fezes dos pets não são eliminados. Eles permanecem latentes no adubo final, transformando o fertilizante em um foco de contaminação.

Além disso, manuais técnicos, como o da Prefeitura de Santos (SP), alertam para a contaminação química. Animais domésticos frequentemente utilizam vermífugos, antibióticos e outros medicamentos veterinários. Esses resíduos químicos são excretados nas fezes e podem prejudicar a microvida do solo, matando as minhocas e os microrganismos benéficos responsáveis pela decomposição.

Qual esterco pode usar?

A proibição dos carnívoros não significa que todo esterco seja ruim. Pelo contrário, o esterco de animais herbívoros é um insumo valioso para o agronegócio e para a agricultura familiar. De acordo com diretrizes do Convale (Consórcio Regional de Desenvolvimento), dejetos de animais que se alimentam exclusivamente de vegetais são ricos em nitrogênio e essenciais para o processo de compostagem.

São permitidos e recomendados:

  • Esterco de boi;
  • Esterco de cavalo;
  • Esterco de galinha;
  • Esterco de coelho.

Atenção ao manejo: Mesmo o esterco de herbívoros não deve ser usado fresco. Ele precisa estar "curtido" — ou seja, ter passado por um processo prévio de secagem e fermentação ao sol por cerca de 30 a 60 dias.

O uso do esterco curtido evita a fermentação quente diretamente nas raízes das plantas (o que poderia matá-las) e reduz a acidez do solo, garantindo uma nutrição segura e eficiente para a lavoura ou jardim.

Para quem vive na cidade e mantém uma composteira doméstica, a regra de ouro permanece a simplicidade: foque em restos de vegetais, cascas de frutas, borra de café e folhas secas. Deixe os dejetos dos pets para o descarte convencional ou serviços especializados de coleta.

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