
Fezes de pets como cães e gatos não devem ser usadas em composteiras
Imagem gerada por IA
Resumo
A proibição do uso de fezes de cães e gatos na compostagem doméstica é recomendada por órgãos técnicos como a Emater-MG, devido ao alto risco de contaminação por parasitas e bactérias que podem sobreviver ao processo e afetar a saúde humana.
A impossibilidade de atingir temperaturas elevadas e constantes em composteiras caseiras impede a eliminação eficaz de patógenos presentes nas fezes dos pets, enquanto resíduos de medicamentos veterinários podem prejudicar a microvida do solo e comprometer a decomposição dos materiais orgânicos.
A recomendação para compostagem doméstica privilegia o uso de esterco curtido de animais herbívoros (boi, cavalo, galinha e coelho), além de restos vegetais, evitando riscos sanitários e garantindo uma nutrição segura para plantas e hortas urbanas.
A prática da compostagem doméstica é uma excelente alternativa para reduzir o lixo orgânico e nutrir o solo, mas exige cuidados sanitários rigorosos. Segundo orientações técnicas de órgãos como a Emater-MG e manuais de gestão de resíduos sólidos, a utilização de fezes de animais carnívoros domésticos — especificamente cães e gatos — é estritamente proibida em sistemas caseiros, devido ao alto risco de contaminação por parasitas e bactérias que podem sobreviver ao processo e afetar a saúde humana.
O perigo invisível: bactérias e parasitas
A compostagem é um processo biológico de valorização da matéria orgânica. No entanto, nem todo resíduo natural deve ir para a pilha de compostagem.
A restrição ao uso de dejetos de pets se deve à natureza biológica desses animais. As fezes de cães e gatos são vetores comuns de patógenos agressivos. Entre os principais riscos apontados por técnicos da Emater-MG, destacam-se:
Parasitas: Como o Toxocara canis, responsável pela infecção conhecida popularmente como bicho-geográfico.
Bactérias: Presença elevada de E. coli e Salmonella.
Se esse material for transformado em adubo e utilizado em uma horta, por exemplo, há um risco real de contaminar verduras e legumes, fechando um ciclo de infecção que pode atingir a família que consome esses alimentos.
A questão da temperatura
Uma dúvida comum entre os praticantes da agricultura urbana é: "A compostagem não mata as bactérias?". A resposta técnica é: depende da temperatura, e é aí que mora o perigo.
Em sistemas industriais de tratamento de resíduos, as temperaturas são controladas e mantidas elevadas (acima de 60°C ou 70°C) por longos períodos, o que garante a higienização do composto. Já nas composteiras domésticas (seja em leiras no jardim ou minhocários), dificilmente se atinge ou se mantém essa temperatura de forma constante e homogênea. Sem esse calor intenso, os ovos de parasitas e cistos de bactérias presentes nas fezes dos pets não são eliminados. Eles permanecem latentes no adubo final, transformando o fertilizante em um foco de contaminação.
Além disso, manuais técnicos, como o da Prefeitura de Santos (SP), alertam para a contaminação química. Animais domésticos frequentemente utilizam vermífugos, antibióticos e outros medicamentos veterinários. Esses resíduos químicos são excretados nas fezes e podem prejudicar a microvida do solo, matando as minhocas e os microrganismos benéficos responsáveis pela decomposição.
Qual esterco pode usar?
A proibição dos carnívoros não significa que todo esterco seja ruim. Pelo contrário, o esterco de animais herbívoros é um insumo valioso para o agronegócio e para a agricultura familiar. De acordo com diretrizes do Convale (Consórcio Regional de Desenvolvimento), dejetos de animais que se alimentam exclusivamente de vegetais são ricos em nitrogênio e essenciais para o processo de compostagem.
São permitidos e recomendados:
- Esterco de boi;
- Esterco de cavalo;
- Esterco de galinha;
- Esterco de coelho.
Atenção ao manejo: Mesmo o esterco de herbívoros não deve ser usado fresco. Ele precisa estar "curtido" — ou seja, ter passado por um processo prévio de secagem e fermentação ao sol por cerca de 30 a 60 dias.
O uso do esterco curtido evita a fermentação quente diretamente nas raízes das plantas (o que poderia matá-las) e reduz a acidez do solo, garantindo uma nutrição segura e eficiente para a lavoura ou jardim.
Para quem vive na cidade e mantém uma composteira doméstica, a regra de ouro permanece a simplicidade: foque em restos de vegetais, cascas de frutas, borra de café e folhas secas. Deixe os dejetos dos pets para o descarte convencional ou serviços especializados de coleta.
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