
Brasil deve assumir a liderança na exportação de algodão em 2026
Wenderson Araujo/Trilux
Resumo
Consolidação do Brasil como maior exportador mundial de algodão é atribuída à competitividade, escala produtiva e foco em qualidade, superando os Estados Unidos na safra 2025/26, mesmo com demanda internacional moderada e leve recuo na produção nacional, segundo análise do Cepea e dados da Conab.
Diferencial competitivo brasileiro é fortalecido por avanços em sustentabilidade, rastreabilidade e boas práticas socioambientais, que valorizam o algodão nacional em mercados exigentes, enquanto especialistas ressaltam a importância da paridade de exportação e do comportamento do dólar para a remuneração dos produtores.
Mapa da produção mostra crescimento de 0,7% na área cultivada, com avanço no Norte e Nordeste e leve retração no Centro-Sul, produtividade média estimada em 1.885 kg/ha e produção total de 3,96 milhões de toneladas, ao passo que projeções do USDA apontam Brasil exportando 3,157 milhões de toneladas e mantendo liderança sobre os Estados Unidos, que devem embarcar 2,656 milhões de toneladas.
Mesmo diante de um cenário de demanda moderada no comércio internacional, o Brasil consolidou seu papel de protagonista global na cotonicultura e deve manter a liderança nas exportações na safra 2025/26. A análise é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que apontam a competitividade e a escala produtiva como fatores decisivos para o país superar, mais uma vez, os Estados Unidos no envio da pluma ao exterior.
As exportações continuam sendo o principal canal de saída para essa oferta volumosa, garantindo liquidez ao produtor rural. O desempenho reforça a estratégia do setor em investir não apenas em volume, mas em qualidade e confiabilidade de entrega.
Sustentabilidade e competitividade
Segundo os pesquisadores do Cepea, o destaque brasileiro no front externo não se deve apenas à quantidade produzida. O país tem avançado significativamente em quesitos exigidos pelos compradores internacionais, como rastreabilidade e sustentabilidade.
Esses fatores agregam valor ao produto nacional, diferenciando o algodão brasileiro em mercados exigentes, como o asiático e o europeu. A capacidade de comprovar a origem e as boas práticas socioambientais tem sido um diferencial competitivo vital em um ambiente de demanda global mais contida.
Outro ponto de atenção para quem vive da agricultura é o mercado financeiro. O comportamento do dólar permanece como um fator decisivo para a remuneração dos negócios.
Especialistas alertam que é essencial que o produtor acompanhe a paridade de exportação — cálculo que compara o preço do produto no mercado interno com o valor que ele teria se fosse exportado — para tomar as melhores decisões de venda.
Mudanças no mapa da produção
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revelam ajustes na geografia do cultivo do algodão para o ciclo 2025/26. A área total cultivada deve apresentar um crescimento tímido de 0,7% em relação à temporada passada, totalizando 2,1 milhões de hectares. No entanto, há uma mudança importante na distribuição das lavouras:
- Norte e Nordeste: A região deve registrar um avanço de 4% na área plantada.
- Centro-Sul: Estima-se uma retração de 0,4%.
A produtividade média das lavouras é estimada pela Conab em 1.885 quilos por hectare, o que representa uma queda de 3,5% em comparação à safra anterior. Como reflexo, a produção total de pluma deve atingir 3,96 milhões de toneladas, um recuo de 2,9% no comparativo anual.
Brasil x Estados Unidos
No cenário global, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta um ligeiro aumento na oferta mundial da fibra, na ordem de 0,4% em relação ao ciclo 2024/25.
Nesse contexto, a liderança brasileira nas vendas externas ganha ainda mais relevância. As projeções indicam que o Brasil exportará 3,157 milhões de toneladas na temporada 2025/26.
Esse volume representa um crescimento expressivo de 11,4% sobre a safra anterior e coloca o país com uma vantagem de 18,9% sobre os Estados Unidos. Os norte-americanos, históricos concorrentes do Brasil nesse mercado, têm previsão de embarcar 2,656 milhões de toneladas.
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