O Brasil está estruturando sua primeira cadeia produtiva de tâmaras focada no semiárido do Nordeste, por meio de uma cooperação internacional e tecnológica com os Emirados Árabes Unidos. Liderada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a iniciativa introduziu 12 espécies de tamareiras na região, com destaque para o estado da Bahia.
Estudos e projetos experimentais indicam que as condições climáticas locais permitem um ciclo de desenvolvimento da planta mais acelerado do que no próprio Oriente Médio.
Atualmente, o mercado nacional é altamente dependente de importações para abastecer o consumo interno do fruto. O Brasil compra cerca de 1.500 toneladas anuais de tâmaras do mercado externo, oriundas principalmente de países como os Emirados Árabes Unidos, Irã e Tunísia. Como se trata de um produto importado e de alto valor agregado, o preço final do quilo da tâmara no varejo brasileiro gira na faixa de R$ 70,00.
O início de uma produção comercial significativa leva, em média, de quatro a sete anos após o plantio das mudas. Contudo, com o manejo técnico e a irrigação adequada no semiárido brasileiro, o tempo de crescimento tem se mostrado menor. O projeto piloto avalia variedades comerciais populares no mundo, como a Medjool, Deglet Noor, Khalas e Barhi.
Desenvolvimento no semiárido baiano
Os testes em escala de pomares experimentais servem para consolidar os indicadores de fomento agrícola antes da expansão para os produtores locais. Órgãos oficiais de estatística e acompanhamento de safras, como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda não possuem dados consolidados sobre o volume de produção comercial ativa e colhida. Isso ocorre porque o polo produtor baiano se encontra em fase de implantação e testes de campo.
A estruturação dessa nova cadeia produtiva representa uma oportunidade de diversificação de renda para o produtor rural da região Nordeste. O aproveitamento do clima semiárido, aliado à tecnologia de irrigação, transforma a característica de forte insolação da região em uma vantagem competitiva para o cultivo de frutas de alto valor de mercado. O avanço dos pomares experimentais visa diminuir a necessidade de compras externas da fruta nos próximos anos.
Os pesquisadores ressaltam que a adaptação das plantas ao solo baiano superou as expectativas iniciais do projeto. A parceria com investidores e técnicos estrangeiros garante a transferência de tecnologia necessária para o manejo correto da cultura. Com o desenvolvimento da cadeia, a expectativa é que o produto se torne mais acessível ao consumidor brasileiro.
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