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Brasil tem potencial para ampliar em até cinco vezes a área irrigada

Sistemas tecnológicos agregados à agropecuária conseguem reverter problemas climáticos severos como estiagens e garantem a segurança alimentar

Da redação
DA REDAÇÃO

23/06/2026 • 13:39 • Atualizado em 23/06/2026 • 13:39

A irrigação tem se consolidado como uma realidade nos principais polos agrícolas do Brasil, impulsionando a produção, gerando mais empregos e promovendo o desenvolvimento regional. Estudos mostram que a presença de sistemas de irrigação está diretamente ligada ao aumento da produtividade, à elevação da renda dos moradores das regiões beneficiadas e à redução da dependência de programas sociais, ao estabilizar o fluxo de produção e melhorar a eficiência do setor agropecuário.

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Segundo dados apresentados em estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), o Brasil conta atualmente com cerca de 8 milhões de hectares irrigados. Entretanto, o mesmo levantamento aponta que o país aproveita apenas uma pequena fração de seu potencial para irrigar lavouras e que a expansão dessa tecnologia poderia trazer ganhos ainda mais expressivos para o setor e para a sociedade.

O estudo indica que a irrigação não elimina o déficit hídrico, mas permite ao produtor obter maior volume de produção, o que gera “maior venda, maior fluxo comercial” e potencializa os benefícios econômicos e produtivos. Grande parte dessa expansão poderia ocorrer em áreas já utilizadas pela agropecuária, segundo dados da Agência Nacional de Águas (ANA).

Para que o crescimento da área irrigada se concretize, especialistas ressaltam a necessidade de mais crédito, infraestrutura e planejamento do uso da água. A análise, que avaliou diversos cenários de expansão da irrigação, destaca os benefícios sociais do investimento, que vão além dos ganhos privados do produtor rural. “O desafio agora é transformar esse potencial em investimento. Especialmente diante de eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes”, aponta o estudo.

O coordenador de sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Ananias, reforçou a importância estratégica da irrigação para a segurança alimentar e para a estabilidade produtiva do país. Segundo ele, a tecnologia tem papel fundamental ao garantir janelas de plantio e permitir até três safras por ano, mesmo em períodos de estiagem. “A irrigação é uma tecnologia agregada à produção agropecuária que consegue trabalhar as questões de mudanças climáticas, garantindo a segurança do plantio, garantindo as janelas de plantio, garantindo com que a gente consiga entrar propriamente numa primeira safra, para que essa janela de primeira safra garanta uma entrada correta numa segunda safra e que também permite até uma terceira safra, safra de inverno”, afirmou.

Ananias destacou ainda que o acesso à tecnologia deve ser ampliado, tornando a irrigação mais acessível e economicamente viável para a maioria dos produtores rurais. Ele ressaltou a necessidade de garantir o uso sustentável da água: “Usar a água para a agricultura não é jogar a água no solo, é garantir também que essa água chegue em quantidade, qualidade, na hora certa para o produtor rural”.

Diante do cenário de instabilidade climática e eventos extremos mais frequentes, a irrigação desponta como ferramenta essencial para minimizar impactos, assegurar o abastecimento alimentar e fomentar o desenvolvimento rural sustentável no Brasil.