
Precisão no manejo resulta em economia de até 35% de água
Divulgação
O uso de ferramentas digitais para o manejo da irrigação permite que produtores rurais reduzam o consumo de água nas lavouras em até 35% sem comprometer a produtividade. A tecnologia, que substitui o uso do "instinto" por modelos agronômicos precisos, está sendo apresentada por especialistas do setor durante a Agrishow 2026.
O avanço tecnológico no campo permitiu a adoção de sistemas que calculam a real necessidade hídrica das plantas. Segundo Sandro Rodrigues, engenheiro agrícola e ambiental e gerente comercial da Valley, o processo utiliza dados climáticos e o balanço hídrico do solo para tomar decisões assertivas.
Como funciona o manejo digital
Uma das principais ferramentas utilizadas é o sistema Scheduling. Ele funciona de forma semelhante ao extrato de uma conta bancária: o software registra a entrada de água (chuvas e irrigação) e a saída, que é a evapotranspiração, ou seja, o consumo da planta.
O saldo final desse balanço gera recomendações diárias sobre quando irrigar e qual a lâmina de água exata a ser aplicada. Com isso, produtores que utilizavam cerca de 600 milímetros de água ao longo de um ciclo conseguiram reduzir o volume para 400 milímetros, mantendo ou aumentando a colheita.
A precisão no manejo traz vantagens operacionais e fitossanitárias para a propriedade. Além de economizar água, o sistema ajuda a reduzir o consumo de energia elétrica e o desgaste prematuro de equipamentos, como os pivôs centrais.
Do ponto de vista da saúde da lavoura, a aplicação da quantidade exata de água diminui o risco de doenças causadas pelo excesso de umidade. Rodrigues ressalta que o objetivo não é apenas gastar menos, mas aplicar exatamente o que a cultura necessita em cada estágio de desenvolvimento.
Planejamento antes do plantio
Atualmente, a irrigação deixou de ser apenas uma resposta a períodos de seca para se tornar uma ferramenta estratégica de gestão. Ferramentas digitais permitem avaliar a disponibilidade de água e energia da fazenda antes mesmo de a semente ir para a terra.
Este planejamento antecipado evita que diferentes áreas da propriedade atinjam o pico de consumo hídrico simultaneamente. Tal situação poderia sobrecarregar o sistema. A estratégia permite definir um calendário de plantio mais eficiente e otimizar o uso da infraestrutura disponível.
Para Rodrigues, a combinação entre tecnologia e acompanhamento técnico é a chave para ampliar a eficiência no Brasil. O país ainda utiliza menos de 20% do seu potencial de área irrigada. Isso representa uma grande oportunidade de crescimento sustentável para o agronegócio nacional.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

