
Governo registrou 699 produtos defensivos em 2025
Gilson Abreu/AEN
Resumo
O ano de 2025 registrou avanços significativos no mercado de insumos agrícolas no Brasil, com recorde histórico na aprovação de 139 produtos biológicos e 560 defensivos químicos pelo Ministério da Agricultura, superando os números de 2022 e 2024, segundo dados do CropData.
O setor de bioinsumos destacou-se pela expansão dos agentes microbiológicos, que representaram 87% dos registros biológicos, impulsionados pela entrada de novas empresas especializadas e pelo investimento de multinacionais, reforçando o papel desses produtos no manejo sustentável de pragas.
O mercado de defensivos químicos mostrou predominância de produtos genéricos, com 95% dos registros, indicando maior concorrência e potencial queda de preços, enquanto o aumento de registros de produtos técnicos revela uma estratégia industrial focada no acesso a matérias-primas para futuras formulações agrícolas.
O ano de 2025 consolidou-se como um marco para o mercado de insumos agrícolas no Brasil. Dados inéditos divulgados pelo CropData, portal de dados da CropLife Brasil, nesta sexta-feira (19) revelam que o país bateu o recorde histórico de registros tanto para produtos biológicos quanto para defensivos químicos. De janeiro até o momento, o Ministério da Agricultura aprovou a entrada de 139 biológicos e 560 produtos químicos, superando as marcas anteriores de 2022 e 2024, respectivamente.
Os números refletem o aquecimento do setor e a busca por novas tecnologias para o controle de pragas e doenças no campo. O aumento na oferta de produtos é visto como positivo para o agronegócio, pois amplia o leque de ferramentas disponíveis para o produtor rural proteger suas lavouras.
A ascensão dos biológicos
O segmento de bioinsumos continua em franca expansão. Com 139 registros em 2025, o setor superou o recorde anterior, de 2022, quando 121 produtos haviam recebido o sinal verde.
Dentro desse universo, o destaque absoluto vai para os agentes microbiológicos, que somaram 121 novos registros, representando 87% do total da categoria. Para quem não está familiarizado com o termo técnico, os agentes microbiológicos são produtos formulados à base de microrganismos vivos, como bactérias, fungos e vírus. Eles atuam no controle natural de pragas e doenças, sendo uma ferramenta essencial para o manejo integrado e para a agricultura sustentável.
Segundo a análise da CropLife, esse crescimento expressivo é impulsionado por dois fatores principais: a entrada de novas empresas dedicadas exclusivamente a esse nicho e a ampliação dos portfólios de grandes multinacionais, que passaram a investir pesado na área de biológicos.
Químicos: recorde com perfil genérico
No mercado de defensivos químicos, o volume também é inédito. Foram 560 novos registros em 2025, ultrapassando os 541 aprovados em 2024. No entanto, é fundamental entender o perfil desses produtos para compreender a dinâmica do mercado.
O levantamento aponta que quase 95% dos registros referem-se a produtos genéricos, ou seja, defensivos que utilizam moléculas já existentes e validadas no mercado. Apenas uma pequena parcela traz inovação radical: foram somente 6 registros de novas moléculas (produtos técnicos) e 22 de novos produtos formulados.
Essa predominância dos genéricos indica um aumento da concorrência entre as empresas, o que pode resultar em preços mais competitivos para o agricultor na hora da compra.
Entenda a diferença: técnico x formulado
Ao analisar os dados de químicos, o relatório destaca uma mudança na distribuição entre "produtos técnicos" e "formulados". Em 2025, houve um crescimento no registro dos produtos técnicos e uma retração nos formulados em comparação ao ano anterior. Mas o que isso significa na prática?
- Produto Técnico: É a matéria-prima pura, a base industrial com alta concentração do princípio ativo, que ainda não está pronta para ir ao campo.
- Produto Formulado: É o defensivo final, já misturado com outros ingredientes inertes, pronto para ser diluído e aplicado na lavoura pelo produtor.
O aumento no registro de produtos técnicos sugere que a indústria está garantindo o acesso a matérias-primas essenciais para, posteriormente, fabricar as soluções que chegarão às fazendas.
Com um portfólio cada vez mais diversificado, misturando a biotecnologia com a química tradicional, o agronegócio brasileiro ganha robustez para enfrentar os desafios sanitários das próximas safras.
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