
Farelo de soja produzido de forma sustentável será usado para criar galinhas
Divulgação/AprosojaMT
Resumo
Acordo comercial entre Bunge e Mantiqueira Brasil fortalece práticas de agricultura regenerativa, conectando produção sustentável de grãos à avicultura para reduzir pegada de carbono e preservar a saúde do solo.
Fornecimento de 12 mil toneladas de farelo de soja rastreável e produzido com agricultura regenerativa atende demanda por cadeias de suprimentos transparentes; insumo será usado na alimentação de aves da Mantiqueira Brasil, líder de mercado de ovos na América do Sul.
Tecnologia blockchain garante rastreabilidade do produto, estimando redução de até 70% na pegada de carbono; economia circular é promovida com testes de fertilizante orgânico Solobom feito de esterco de galinha, e programas de assistência técnica abrangem 345 mil hectares com foco em agricultura de baixo carbono.
A Bunge e a Mantiqueira Brasil anunciaram um acordo comercial estratégico para fortalecer práticas de agricultura regenerativa no país. A parceria conecta a produção sustentável de grãos à avicultura, criando um ciclo produtivo focado na redução da pegada de carbono e na preservação da saúde do solo.
A iniciativa envolve o fornecimento de 12 mil toneladas de farelo de soja por parte da Bunge para a Mantiqueira. O insumo, essencial para a nutrição animal, é 100% rastreável desde a origem. O produto provém de áreas que já adotam a agricultura regenerativa. Este sistema de cultivo prioriza a recuperação e a manutenção da biodiversidade e da qualidade do solo, em vez de apenas extrair recursos, garantindo maior longevidade para as terras produtivas.
O farelo de soja será utilizado na produção de ração para alimentar as aves nas unidades da Mantiqueira Brasil, líder no mercado de ovos na América do Sul. O movimento atende a uma demanda crescente do mercado por cadeias de suprimentos mais transparentes e sustentáveis.
Tecnologia e redução de carbono
Para garantir a procedência do material, as empresas utilizam a tecnologia blockchain. Trata-se de um sistema de registro digital seguro e imutável, que permite acompanhar toda a trajetória do grão, desde a colheita na fazenda até a chegada à indústria. Essa rastreabilidade permite mensurar o impacto ambiental com precisão. Estima-se que o farelo de soja fornecido neste contrato tenha uma pegada de carbono entre 40% e 70% menor do que a média brasileira.
O cálculo baseia-se em metodologias internacionais e utiliza dados primários coletados digitalmente nas fazendas. Segundo Pamela Moreira, Diretora de Sustentabilidade da Bunge, a ação visa gerar valor para toda a cadeia. “Em parceria com os nossos clientes, a Bunge vem ampliando a oferta de soluções de carbono para apoiar a redução de emissões na cadeia e promover práticas agrícolas sustentáveis. Acreditamos em uma jornada coletiva”, afirma a executiva.
Economia circular na prática
O acordo vai além da compra e venda de soja. Como contrapartida, fazendas parceiras da Bunge iniciaram testes com o fertilizante orgânico Solobom, produzido pela Mantiqueira. O adubo é feito à base de esterco das galinhas poedeiras, transformando um resíduo da avicultura em insumo valioso para a agricultura. Testes preliminares foram realizados em áreas de safrinha de milho — cultivo realizado logo após a colheita da safra principal — com a aplicação de cerca de 100 toneladas do produto.
Leandro Testa, diretor de Originação da Mantiqueira Brasil, explica que essa troca fortalece a economia circular. Esse conceito econômico visa eliminar o desperdício, mantendo produtos e materiais em uso pelo maior tempo possível. “Essas práticas promovem o uso racional de insumos químicos, aumentam a absorção e a retenção de água no solo e fortalecem a fertilidade natural. Há uma retroalimentação de todo o ecossistema produtivo de maneira sustentável”, avalia Testa.
Atualmente, a Mantiqueira comercializa mais de 100 mil toneladas de adubo orgânico por ano. O material é utilizado em lavouras de cana-de-açúcar, soja e café em estados como São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Já o Programa de Agricultura Regenerativa da Bunge abrange cerca de 345 mil hectares no Brasil. A iniciativa oferece assistência técnica e ferramentas digitais aos produtores rurais que desejam realizar a transição para uma agricultura de baixo carbono.
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