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Carne bovina: preços resistem às contas de janeiro e seguem firmes

Demanda segue aquecida na 1ª quinzena, contrariando tendência de queda. Diferença entre carne no atacado e boi no pasto favorece a indústria

Da redação
DA REDAÇÃO

15/01/2026 • 16:35 • Atualizado em 15/01/2026 • 16:35

Demanda se manteve estável mesmo em um mês como janeiro, com muitas despesas extras

Demanda se manteve estável mesmo em um mês como janeiro, com muitas despesas extras

Tony Oliveira/Trilux

Contra todas as expectativas para o período, o mercado de carnes iniciou o ano com um comportamento atípico e positivo para o setor. De acordo com levantamentos divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços da carne bovina se sustentaram firmes nesta primeira quinzena de janeiro.

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O suporte para essa estabilidade vem, sobretudo, de uma demanda que continua aquecida, mesmo diante do orçamento mais apertado das famílias brasileiras neste início de ano. Historicamente, janeiro é um mês de "ressaca" no consumo. Com a chegada de despesas extras obrigatórias — como IPVA, IPTU e material escolar —, o movimento natural do consumidor é migrar para proteínas mais baratas, substituindo cortes nobres por carne suína, frango ou cortes do dianteiro bovino.

No entanto, os dados atuais mostram que o brasileiro manteve o consumo de carne bovina, sustentando as cotações no atacado e no varejo até o momento.

Apesar do otimismo inicial, os analistas de mercado mantêm a cautela para as próximas semanas. A avaliação é que o peso financeiro do início de ano pode começar a ser sentido com mais força agora.

Com o início efetivo do pagamento dos tributos e das faturas de cartão de crédito acumuladas nas festas de fim de ano, existe a possibilidade de um freio na alta da carne, especialmente nos cortes de maior valor agregado (traseiro). O comportamento do consumidor na segunda metade do mês será decisivo para definir a tendência de preços para fevereiro.

Boi gordo e oferta limitada

Enquanto a carne no gancho (nos frigoríficos e açougues) se valoriza ou mantém o preço, o mercado do boi gordo — o animal vivo negociado pelo produtor — vive um cenário de estabilidade. Os preços da arroba estão praticamente inalterados. Isso reflete um quadro clássico de equilíbrio: a oferta de animais prontos para abate está limitada no campo, mas a demanda das indústrias por compra de gado também segue estável, sem grandes pressões de compra.

Indústria lucra mais que o pecuarista

Um dado que chama a atenção no relatório do Cepea é a disparidade entre o que a indústria ganha vendendo a carne e o que ela paga ao produtor pelo animal. Desde novembro de 2022, o valor de venda da carne no atacado supera o valor pago pela matéria-prima (o boi). Segundo o Indicador CEPEA/ESALQ, 15 quilos de carcaça casada (boi abatido com osso) no atacado da Grande São Paulo valem mais do que uma arroba de boi gordo paga ao pecuarista.

Na parcial de janeiro de 2026, essa vantagem da carne sobre o animal atingiu R$ 25,64 por arroba.

Entenda o cálculo

Para quem não é do setor, essa conta pode parecer complexa, mas é o principal termômetro da margem de lucro dos frigoríficos.

A "carcaça casada" é formada pelo boi abatido, dividido em traseiro, dianteiro e ponta de agulha. Quando o preço desse conjunto (vendido pela indústria) sobe mais do que o preço do boi vivo (vendido pelo fazendeiro), significa que a indústria frigorífica está conseguindo margens melhores, retendo uma fatia maior do valor final do produto.

Para o pecuarista, o cenário exige gestão eficiente e atenção aos custos de produção, já que a valorização do produto final nas gôndolas não está sendo repassada integralmente para o valor da arroba no campo.

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