
Em janeiro, férias e mudanças de hábitos influenciam o preço da carne suína
Envato Elements
O preço da carne suína registrou uma queda acentuada em praticamente todo o Brasil neste início de ano. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações da cadeia suinícola estão em recuo expressivo, afetando desde o produtor até o consumidor final. O movimento é provocado por uma combinação de fatores sazonais e aumento da produção nacional.
Segundo os especialistas, o principal motivo para o barateamento é o período de férias escolares. Com as instituições de ensino fechadas, o consumo de proteína para merendas cai drasticamente. Além disso, as famílias mudam seus hábitos de compra em janeiro, o que gera uma "sobra" de carne no mercado doméstico e força a redução dos preços para escoar os estoques.
Veja uma lista completa de receitas dignas de MasterChef com carne suína
Aumento da oferta pressiona o mercado
Além da demanda enfraquecida, o setor enfrenta uma maior oferta de animais vivos e de carne processada. Quando há muito produto disponível e poucos compradores, o valor de mercado tende a cair rapidamente. Esse cenário foi identificado pelo Cepea em quase todas as praças acompanhadas, mostrando que a desvalorização é um fenômeno nacional.
Para o consumidor, o cenário é favorável para o churrasco ou para a substituição de outras carnes mais caras. Já para o suinocultor, o momento exige cautela. O "ciclo de baixa" — termo usado quando a oferta supera a procura — pode apertar as margens de lucro de quem produz "da porteira para dentro", especialmente se os custos com ração continuarem elevados.
Exportações batem recorde para equilibrar as contas
Para evitar um prejuízo ainda maior com a baixa no Brasil, os frigoríficos estão acelerando os envios para o exterior. A estratégia é focar na exportação, onde a rentabilidade em dólar compensa a fraqueza do mercado interno. Essa "válvula de escape" é fundamental para que o preço não despenque de forma descontrolada no atacado brasileiro.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que o ritmo de vendas para fora do país segue acelerado. Em janeiro de 2026, a média diária de embarques está em torno de 5,1 mil toneladas. O volume é comparável aos melhores momentos de 2025, o que mostra que a carne suína brasileira continua com forte aceitação internacional, especialmente na Ásia.
Entenda o que acontece com os preços
No agronegócio, o preço é definido pela balança comercial e pelo consumo das famílias. O termo "barter", comum no setor, refere-se à troca de insumos por produção, mas o que dita o valor na gôndola é a lei da oferta e procura. Com a volta às aulas em fevereiro, a expectativa é que o consumo interno reaqueça, estabilizando os valores.
Até lá, os frigoríficos devem manter a prioridade nas exportações. Esse equilíbrio entre o que fica no Brasil e o que vai para fora é o que garante que as prateleiras continuem abastecidas sem que o produtor rural precise interromper suas atividades por falta de lucro.

