
Exportador de suínos ainda terá que pagar 83 euros por tonelada
CNA/Trilux
Resumo
Acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul será oficialmente assinado após 25 anos de negociações, representando avanço diplomático e comercial para a suinocultura brasileira, mas com impacto imediato limitado nas exportações segundo avaliação do Cepea.
Cota anual inédita de 25 mil toneladas de carne suína, incluindo produtos in natura e industrializados, permitirá tarifa reduzida de 83 euros por tonelada, garantindo competitividade apenas dentro desse limite específico.
Tarifas elevadas aplicadas às exportações acima da cota dificultam a competitividade de produtos de maior valor agregado, enquanto o acesso ao mercado europeu proporciona capilaridade, diversificação de parceiros comerciais e fortalecimento da imagem de qualidade da carne suína brasileira no cenário global.
Após uma espera de mais de 25 anos de negociações, o acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul será oficialmente assinado neste sábado (17). Para a suinocultura brasileira, o tratado representa um avanço diplomático e comercial, mas analistas ponderam que os reflexos imediatos no volume de vendas serão modestos. Segundo avaliação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), embora a abertura desse mercado seja celebrada, o impacto direto sobre os embarques nacionais deve ser limitado.
O principal motivo apontado pelos pesquisadores é o tamanho da cota oferecida pelos europeus, de 25 mil toneladas. O volume acordado é considerado pequeno quando comparado à magnitude da capacidade exportadora que o Brasil já possui atualmente.
As regras da nova cota
O texto do acordo, caso seja aprovado em definitivo, estabelece uma cota inédita de 25 mil toneladas por ano para a carne suína brasileira. Esse volume engloba tanto o produto in natura (carne fresca) quanto a carne industrializada. Dentro desse limite de 25 mil toneladas, o exportador brasileiro pagará uma tarifa reduzida de 83 euros por tonelada para entrar no mercado europeu.
Essa taxa é significativamente menor do que as tarifas cheias aplicadas fora de acordos comerciais, o que garante competitividade ao produto nacional dentro desse volume específico.
O desafio das tarifas excedentes
O alerta do Cepea recai sobre o que acontece quando esse limite é ultrapassado. Acima das 25 mil toneladas, voltam a valer as tarifas padrão do regime aduaneiro europeu. Essas taxas costumam alcançar patamares elevados, criados justamente para proteger os produtores locais da Europa. Na prática, essas tarifas altas inviabilizam a competitividade de produtos brasileiros de maior valor agregado.
O levantamento destaca que itens como presuntos, cortes defumados ou secos dificilmente conseguirão competir no mercado europeu fora da cota reduzida, devido ao custo final proibitivo gerado pelos impostos de importação.
A estratégia da capilaridade
Diante desses números, a conclusão dos pesquisadores do Cepea é que a União Europeia não deve se tornar, no curto prazo, um "grande destino" para a carne suína brasileira em termos de volume massivo, como é a China hoje. No entanto, o acordo tem um valor estratégico importante: a "capilaridade". No comércio exterior, capilaridade significa a capacidade de espalhar o produto por diversos mercados diferentes, em vez de depender de um único grande comprador.
Ao acessar o mercado europeu, conhecido por ser um dos mais exigentes do mundo em termos sanitários e de qualidade, o Brasil ganha uma espécie de "selo de qualidade". Isso reforça a presença da proteína nacional no cenário global e ajuda a diversificar os parceiros comerciais, garantindo mais segurança e estabilidade para o setor produtivo a longo prazo.
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