
Acordo comercial aumentará em 180 mil toneladas a cota isenta de tarifa para carne de frango
Reprodução/Band
O acordo comercial Mercosul e a União Europeia promete reconfigurar a competitividade da avicultura brasileira no cenário internacional. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o tratado deve impulsionar significativamente os embarques de carne de frango ao criar uma cota de 180 mil toneladas isentas de tarifas alfandegárias.
A medida representa um salto expressivo na facilidade de acesso ao exigente mercado europeu. De acordo com os pesquisadores do Cepea, esse novo volume é 12 vezes superior à cota que vigora atualmente, que gira em torno de apenas 15 mil toneladas por ano.
Essa ampliação é vista como estratégica para o setor, pois reduz os custos de entrada do produto brasileiro, tornando-o mais competitivo nas gôndolas do velho continente frente aos produtores locais e outros concorrentes globais.
Impacto nas exportações
Embora o Brasil já seja um gigante na produção de proteínas, cada tonelada enviada para mercados de alto valor agregado, como a Europa, faz diferença na balança comercial. O Cepea pondera que, em termos percentuais globais, as 180 mil toneladas representam cerca de 3,4% de tudo o que o Brasil exportou em 2025. No entanto, o valor agregado dessas vendas tende a ser superior à média, dada a exigência de qualidade do comprador europeu.
Mesmo antes da implementação das novas regras de isenção, o desempenho brasileiro já se mostrava robusto. Os dados mostram que, em 2025, mesmo operando sob o regime aduaneiro vigente — ou seja, pagando as tarifas normais —, a União Europeia se consolidou como o oitavo maior destino da carne de frango do Brasil.
Ao todo, o bloco importou cerca de 230 mil toneladas do produto nacional no último ano. A expectativa é que, com a retirada das taxas para o volume da nova cota, essa relação comercial se intensifique ainda mais.
Preços em queda no mercado interno
Enquanto as notícias são de expansão no cenário externo, o mercado doméstico vive uma realidade distinta, típica do calendário econômico brasileiro. O levantamento do Cepea aponta que os preços da maioria dos cortes avícolas estão em queda neste mês. Esse comportamento não é uma surpresa para os analistas e reflete o movimento tradicional de janeiro.
Historicamente, o primeiro mês do ano é marcado por um desaquecimento no consumo das famílias. Após as festas de fim de ano, o orçamento do consumidor brasileiro costuma ficar mais apertado devido à chegada de despesas sazonais obrigatórias, como IPVA, IPTU e material escolar.
Com o poder de compra momentaneamente reduzido, a demanda por proteínas tende a diminuir, pressionando as cotações para baixo. Para o consumidor, o momento pode ser de alívio no preço do prato feito, enquanto o produtor aguarda a normalização do fluxo de consumo nas próximas semanas.
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