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Clima seco no Cerrado acelera lavouras de trigo irrigado e feijão

Da redação
DA REDAÇÃO

10/07/2026 • 12:03 • Atualizado em 13/07/2026 • 10:50

Calor acelera a maturação de lavouras irrigadas na região central do Brasil

Calor acelera a maturação de lavouras irrigadas na região central do Brasil

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O tempo seco e as condições térmicas favoráveis no Brasil Central aceleraram o desenvolvimento fenológico e anteciparam a maturação das lavouras de trigo irrigado e feijão na primeira semana de julho. Segundo monitoramento realizado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o ritmo de acúmulo de energia térmica no Cerrado brasileiro fez com que as plantas avançassem mais rapidamente entre os estádios de crescimento na safra atual.

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O fenômeno foi verificado por meio do cálculo de graus-dia, metodologia que mensura o desenvolvimento vegetal com base na temperatura acumulada, e não apenas no calendário agrícola tradicional.

Para avaliar o impacto real do clima nas lavouras do Cerrado, foram realizadas simulações no Sisdagro (Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária), ferramenta desenvolvida pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). As análises compararam o comportamento das safras de 2025 e 2026 em duas importantes regiões produtoras: Cristalina, em Goiás, e Unaí, no noroeste de Minas Gerais. Os resultados indicam maior eficiência térmica no campo.

No caso do trigo irrigado de ciclo médio em Cristalina (GO), semeado em 15 de abril, o acúmulo de graus-dia em 2026 ocorreu em ritmo ligeiramente superior ao do ano anterior. Aos 60 dias após a semeadura, a cultura acumulava aproximadamente 1.003 °C.dia, contra 973 °C.dia registrados no mesmo período da safra passada. Até o dia 8 de julho, o trigo somava 1.367,1 °C.dia aos 84 dias de ciclo, restando cerca de 83 °C.dia para atingir a soma térmica de referência para a maturação, que é de 1.450 °C.dia. Na safra de 2025, esse patamar só foi alcançado aos 95 dias.

Clima acelera a colheita do feijão em Minas

O feijoeiro irrigado de ciclo médio em Unaí (MG), semeado em 20 de abril, apresentou um acúmulo térmico superior durante praticamente todo o ciclo em 2026. A soma térmica de referência para a maturação da cultura, estipulada em 1.100 °C.dia, foi atingida aos 76 dias após o plantio, no dia 5 de julho, quando a lavoura registrou 1.102,6 °C.dia. Na safra anterior, esse mesmo limite térmico só foi preenchido aos 84 dias, em 13 de julho.

As simulações do Inmet confirmaram uma redução de aproximadamente oito dias na duração do ciclo do feijoeiro irrigado em relação ao ano passado. Esse comportamento acelerado é visível nas operações de campo em Minas Gerais, onde o tempo firme impulsionou os trabalhos. Cerca de 90% da área cultivada com o feijão de segunda safra já foi colhida no estado. As áreas remanescentes encontram-se em plena fase de maturação, passando pelos processos de dessecação e secagem natural dos grãos para que a colheita ocorra nos próximos dias.

Previsão indica manutenção do tempo seco

A previsão do Inmet para os próximos sete dias reforça o predomínio de tempo seco sobre Goiás e a maior parte de Minas Gerais, confirmando a ausência de chuvas significativas nas regiões produtoras de Cristalina e Unaí. Os volumes de precipitação previstos devem se concentrar restritamente em áreas do sul, sudoeste e na Zona da Mata mineira, com acumulados baixos, entre 3 e 10 milímetros, insuficientes para alterar o quadro atual das principais zonas agrícolas estudadas.

Em Cristalina (GO), as temperaturas máximas devem variar entre 26 °C e 29 °C, enquanto as mínimas programadas oscilam entre 16 °C e 20 °C. Já em Unaí (MG), o calor será mais intenso, com máximas previstas entre 29 °C e 32 °C e mínimas situadas entre 16 °C e 18 °C. Essas condições meteorológicas são consideradas altamente benéficas para a continuidade do desenvolvimento do trigo irrigado e para o andamento final da colheita do feijão, ajudando a manter a qualidade dos grãos e garantindo o planejamento das atividades das máquinas no campo.