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Dia Mundial da Agricultura: entenda o equinócio e como ele muda as safras

A data coincide com o início do outono e marca o auge das chuvas no Centro do Brasil; especialista explica a relação entre o fenômeno e a colheita da cana e do milho

Da redação
DA REDAÇÃO

20/03/2026 • 09:44 • Atualizado em 20/03/2026 • 09:44

Resumo

O Dia Mundial da Agricultura é celebrado no Brasil junto ao início do outono e ao equinócio, fenômeno astronômico que iguala a duração do dia e da noite, afetando diretamente o regime de chuvas e o calendário agrícola das principais regiões produtoras.

O equinócio provoca o auge das chuvas na região central do país, seguido de uma diminuição gradual das precipitações no Centro-Oeste e Sudeste, criando condições favoráveis para a maturação e colheita de culturas como cana-de-açúcar e milho, além de deslocar o pico das chuvas para o Nordeste nos meses seguintes.

A redução das chuvas favorece a colheita e a concentração de açúcares na cana, enquanto na segunda safra de milho destaca-se a importância do manejo da irrigação, técnica essencial para manter a produtividade das lavouras diante do clima mais seco e garantir o sucesso do agronegócio brasileiro.

O Brasil celebra hoje o Dia Mundial da Agricultura, data que em território nacional coincide com o início do outono e a chegada do equinócio. O fenômeno astronômico, que marca o equilíbrio entre a duração do dia e da noite, tem implicações diretas no regime de chuvas e no calendário agrícola das principais regiões produtoras do país, influenciando desde a colheita da cana-de-açúcar até o desenvolvimento da segunda safra de milho.

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O termo equinócio, de origem latina, significa "noite igual" e descreve o momento em que o Sol, em seu percurso aparente, cruza a linha do Equador. Nesse período, tanto o dia quanto a noite têm a duração exata de 12 horas. De acordo com o ex-pesquisador da Embrapa, Evaristo de Miranda, essa transição é fundamental para o ciclo hídrico nas regiões tropicais, pois as chuvas atingem seu auge logo após a passagem do Sol pelo zênite (ponto mais alto no céu).

O impacto nas chuvas e no Centro-Oeste

Atualmente, as precipitações estão em seu nível máximo na região central do Brasil. Esse volume de água é estratégico para a manutenção da umidade do solo, mas o cenário começa a mudar gradualmente após o equinócio. À medida que o Sol avança em sua trajetória, o auge das chuvas se desloca para o leste e, posteriormente, caminha em direção ao Nordeste, onde deve atingir o pico entre os meses de março e abril.

Com a progressão do outono, a tendência é de uma redução paulatina no volume de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste. Essa transição para um período mais seco é um fator determinante para o sucesso das atividades de campo, permitindo que os produtores planejem as etapas finais de maturação e o início da retirada dos produtos do solo sem os riscos de perdas causados pelo excesso de umidade.

Colheita da cana e safrinha de milho

A chegada do tempo seco, característica dos meses de abril e maio, é celebrada especialmente pelos produtores de cana-de-açúcar e milho. Para a cana, a redução das chuvas favorece a concentração de açúcares na planta e facilita a logística de colheita e transporte. No caso do milho, o período marca a fase crítica da "safrinha" ou segunda safra, termo técnico que designa o plantio realizado logo após a colheita da safra principal.

Irrigação ganha protagonismo

Embora o tempo seco seja benéfico para a colheita, Miranda ressalta que esse também é o momento em que o manejo da irrigação ganha importância vital. A técnica consiste no fornecimento artificial de água para as plantas, garantindo que a produtividade não seja prejudicada pela falta de chuvas naturais. O equilíbrio entre o aproveitamento do clima seco para colher e o uso da tecnologia para manter as plantas vivas é o que garante a eficiência do agronegócio brasileiro nesta estação.

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