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Embalagem inteligente muda de cor para avisar que o peixe estragou

Cientistas usaram o repolho roxo como 'tinta'; em dois dias, embalagem ficou azul com filé de merluza estragado

Por Redação
REDAÇÃO

07/05/2025 • 11:18 • Atualizado em 07/05/2025 • 11:18

Embalagem feita com repolho muda de cor quando alimento estraga

Embalagem feita com repolho muda de cor quando alimento estraga

Matheus Falanga/Embrapa

Resumo

Cientistas brasileiros e americanos usaram uma tecnologia revolucionaria e criaram uma embalagem capaz de avisar ao consumidor quando o alimento não está apropriado para o consumo. A embalagem muda de cor conforme o alimento estraga. O produto, que usa pigmentos naturais extraídos do repolho roxo, foi criado por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em parceria com a Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ) e a Universidade de Illinois, em Chicago, nos Estados Unidos (UIC).

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De acordo com os cientistas, a embalagem é feita a partir da técnica de fiação por sopro em solução para produzir mantas de nanofibras inteligentes usando os pigmentos vegetais naturais. A técnica também foi desenvolvida por cientistas brasileiros. Essas mantas, usadas como embalagens, são capazes de monitorar a qualidade dos alimentos em tempo real pela alteração da cor e isso ocorre pela interação química entre os compostos liberados durante a deterioração e o material da embalagem.

Em testes em laboratórios, a embalagem inteligente mudou de roxo para azul durante o monitoramento do frescor de um filé de merluza. Enquanto estava fresco e apropriado para o consumo, a embalagem se manteve roxa, mas após 24 horas, ela começou a mudar de cor ficando lilás. Após mais 48 horas, ficou cinza e após o período de 72 horas, ficou azul, demonstrando que o alimento embalado era inapropriado para o consumo, sem a necessidade de abrir a embalagem.

A pesquisa já foi publicada em uma revista científica, a Food Chemistry.

A técnica de fiação por sopro em solução (SBS, do inglês Solution Blow Spinning) foi desenvolvida em 2009 por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), da Embrapa Instrumentação, em parceria com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos USDA), e é capaz de produzir micro e nanoestruturas poliméricas com diversas vantagens, entre elas, a rapidez no desenvolvimento das nanofibras, que leva apenas duas horas. As nanofibrassão estruturas em escala nanométrica que podem formar não tecidos. Um nanômetro é equivalente a um bilionésimo de um metro.