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Urina de uma pessoa seria suficiente para adubar uma horta, aponta a ciência

Pesquisadores da Universidade de Stanford usam a energia solar para transformar xixi de gente em fertilizante sustentável

Por Redação
REDAÇÃO

29/08/2025 • 12:14 • Atualizado em 29/08/2025 • 12:14

Urina humana é rica em nitrogênio e amônia, elementos usados largamente na agricultura

Urina humana é rica em nitrogênio e amônia, elementos usados largamente na agricultura

Wenderson Araujo/Trilux

Resumo

Inovação de Stanford: Cientistas da Universidade de Stanford desenvolveram um protótipo que transforma urina humana em fertilizante usando energia solar. O estudo foi publicado na revista Nature Water.

Processo eletroquímico: O dispositivo utiliza energia solar para operar um sistema eletroquímico que extrai nitrogênio e amônia da urina, produzindo sulfato de amônio, um fertilizante útil na agricultura.

Impacto e potencial: A tecnologia promete ser uma solução econômica e sustentável para a produção de fertilizantes, especialmente em regiões com acesso limitado a insumos agrícolas, como Uganda, onde pode gerar renda significativa pela recuperação de nitrogênio.

Cientias da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, anunciaram a criação de um protótipo que usa energia solar para extrair nutrientes da urina humana para criar um fertilizante sustentável. A novidade foi apresentada à comunidade científica em um artigo publicado na revista de pesquisa Nature Water.

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O protótipo usa energia solar por meio de um sistema de decapagem eletroquímica fotovoltaica-térmica para capturar nitrogênio, um componente-chave de fertilizantes comerciais, da urina humana e elemento de uso comum na agricultura.

No artigo, os cientistas ainda afirmaram que o sistema também separa a amônia, um composto químico composto de nitrogênio e hidrogênio, da urina. Isso é feito por meio de uma série de câmaras separadas por membranas que usam eletricidade solar para conduzir íons e reter a amônia como sulfato de amônio, elemento que também tem uso comum na agricultura.

Orisa Coombs, principal autora do estudo, explicou que, apesar de cada pessoa produzir nitrogênio suficiente na urina para fertilizar um jardim, grande parte do mundo depende de fertilizantes importados caros. “Você não precisa de uma fábrica de produtos químicos gigante ou mesmo de uma tomada de parede”, acrescentou Coombs. “Com luz solar suficiente, você pode produzir fertilizantes exatamente onde é necessário e, potencialmente, até armazenar ou vender o excesso de eletricidade.”

No Brasil, a dependência de fertilizantes é um dos maiores custos de produção que encarecem o preço final dos alimentos. Entre janeiro e julho de 2025, o país já importou 24,2 milhões de toneladas de fertilizantes, 8,8% a mais que no mesmo período do ano passado, e o maior volume já registrado em importações.

De acordo com a pesquisa, em regiões como Uganda, na África, o sistema poderia gerar até US $ 4,13 / kg de nitrogênio recuperado, mais que o dobro dos ganhos potenciais nos Estados Unidos. Isso ajudou os pesquisadores a concluir que seu sistema é uma alternativa viável e econômica aos fertilizantes tradicionais, particularmente em áreas onde o acesso a insumos agrícolas é limitado e onde os fertilizantes permanecem caros.

A Universidade de Stanford disse que a remoção de nitrogênio da urina torna o líquido restante mais seguro para descarga ou reutilização para irrigação, e acrescenta que pode ser um “divisor de águas em muitos países onde apenas uma pequena porcentagem da população está conectada a sistemas de esgoto centralizados”.