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Estiagem na região sul favorece colheita, mas também ameaça a segunda safra

A falta de chuvas regulares, intensificada pelo fenômeno La Niña, acelera o avanço das máquinas no campo, mas eleva o risco de perdas para o milho e feijão

VIVIANE TAGUCHI

01/04/2026 • 18:49 • Atualizado em 01/04/2026 • 18:49

Clima mais seco facilita a colheita, mas ameaça o início do plantio da safrinha de milho e soja

Clima mais seco facilita a colheita, mas ameaça o início do plantio da safrinha de milho e soja

Divulgação/AIBA

A safra agrícola em uma das principais regiões do país enfrenta um drama: ao mesmo tempo que a estiagem favorece a aceleração do ritmo de colheita das lavouras de verão, o clima ameaça o início do plantio da segunda safra, principalmente a semeadura de milho, no Paraná.

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O fenômeno La Niña favoreceu chuvas irregulares e acumulados abaixo da média nos últimos meses, impactando o desenvolvimento das lavouras. No Rio Grande do Sul, de acordo com o relatório semanal do Emater/RS, a colheita da soja avançou 30% até a segunda quinzena de março. Com os atrasos no ritmo dos trabalhos no campo - impactados também pela escassez de óleo diesel relatada por produtores rurais locais - a janela de plantio da safrinha está ficando “preocupante”.

Na região, as lavouras de soja estão mostrando variabilidade de produtividade altas. Pancadas isoladas de chuvas e um calor muito intenso, entre janeiro e fevereiro, provocaram déficit hídrico — a deficiência de água no solo — em fases críticas das plantas semeadas no fim de 2025. Em contraste, em Santa Catarina e no Paraná, foram registradas condições menos adversas e melhor produtividade. Atualmente, o tempo seco beneficia o avanço rápido da colheita de soja em grande parte desses estados.

Perdas na soja e milho safrinha

A soja safrinha, plantada após a colheita do milho de verão, sofre com a irregularidade das chuvas. No Rio Grande do Sul, áreas semeadas em janeiro enfrentaram calor extremo e seca. Estimativas do Sisdagro indicam que as perdas de produtividade na soja podem atingir 50,4% até o início de abril.

No Paraná, a situação do milho segunda safra é distinta por regiões. No oeste paranaense, as altas temperaturas e a escassez hídrica já resultam em perdas significativas. Já no centro-norte do estado, onde a semeadura ocorreu mais tarde, as chuvas frequentes têm favorecido o desenvolvimento das plantas.

A restrição hídrica verificada em março, com armazenamento de água no solo inferior a 30% em áreas do oeste da região, prejudica o milho para silagem — usado na alimentação animal — e as pastagens gaúchas.

Previsão do tempo e planejamento

Nos próximos dias, a distribuição das chuvas continuará irregular no Sul, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Os maiores acumulados, entre 30 e 90 mm, são esperados para o centro e noroeste do Paraná. No Rio Grande do Sul, os volumes mais altos devem se concentrar no sul, variando de 20 a 50 mm.

As temperaturas devem permanecer elevadas, com máximas entre 28 °C e 34 °C. No sudoeste gaúcho, os termômetros podem superar os 32 °C, com declínio previsto apenas a partir de domingo (05).