
Amendoim brasileiro ganha espaço no mercado internacional
Divulgação/SAA
Resumo
Exportação de amendoim brasileiro: Em 2025, a exportação brasileira de amendoim atingiu um recorde histórico com 180 mil toneladas vendidas, gerando US$ 222 milhões. Este aumento de 26% em relação ao ano anterior se deve principalmente à produção em São Paulo, que responde por 100% do amendoim exportado pelo Brasil.
Principais mercados e demanda chinesa: Os principais destinos do amendoim brasileiro incluem Rússia, China, Argélia e Países Baixos. A China, que é tanto o maior produtor quanto consumidor mundial de amendoim, teve um papel crucial no aumento das exportações devido à insuficiência de sua produção para atender ao consumo interno.
Produção nacional e avanços na exportação de óleo: O Brasil, sexto maior exportador de amendoim, tem uma produção nacional de cerca de 1 milhão de toneladas. Destaca-se também o crescimento de 170% nas exportações de óleo de amendoim, com a China e a Itália como principais compradores. O estado de São Paulo, responsável por 86% da produção nacional, é beneficiado pela pesquisa e inovação em variedades de amendoim, conduzida pelo Instituto Agronômico (IAC) de Campinas.
A exportação de amendoim brasileiro registrou uma marca histórica neste ano, depois de um período de forte retração. Entre os meses de janeiro a agosto, conforme um levantamento realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA - Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), foram comercializadas mais de 180 mil toneladas do grão, com um faturamento de US$ 222 milhões. Esse volume que representa um crescimento exponencial de 26%, em comparação ao mesmo período de 2024. E um detalhe chama a atenção: 100% do amendoim exportado pelo Brasil é produzido em São Paulo.
Os principais destinos do amendoim neste ano foram, respectivamente, a Rússia (22%); China (21%); Argélia (11%) e Países Baixos (7%), que servem como a principal porta de entrada para o bloco europeu. O aumento considerável de envio para o mercado chinês, que comprou 35 mil toneladas, em um intervalo curto de tempo, chama atenção de representantes do setor.
Para a pesquisadora do IEA, Renata Martins Sampaio, a necessidade de abastecimento do mercado interno da China foi crucial para o aumento das exportações brasileiras. “Ela é a principal produtora mundial de amendoim, responde por pouco mais de 35% do total produzido. Da mesma forma, também é o maior consumidor mundial. Sendo assim, a produção chinesa não foi o suficiente para suprir o seu consumo interno”, destacou Renata Martins Sampaio.
Atualmente, a produção nacional é de aproximadamente 1 milhão de toneladas do produto para o mercado de confeitaria e de óleo, colocando o Brasil como o 6º maior exportador de grãos de alta qualidade.
Outro destaque da safra 2024/2025 foi o avanço expressivo das exportações de óleo de amendoim, que cresceram mais de 170%, somando 98 mil toneladas destinadas principalmente à China (87%) e à Itália (13%).
O produto, considerado uma verdadeira iguaria pelo sabor marcante, pureza e qualidades nutricionais, ganhou mais espaço no mercado internacional. “O óleo é naturalmente rico em gorduras poli-insaturadas, especialmente o Ômega 6, que contribui para o fortalecimento do sistema imunológico e para a saúde cardiovascular. Também oferece vitamina E, essencial para a proteção celular, além de antioxidantes como o resveratrol, substância associada à prevenção de doenças como o Alzheimer”, explica a nutricionista Sizele Rodrigues, da Diretoria de Segurança Alimentar (Cosali), ligada à SAA.
Vale destacar que São Paulo é o maior produtor nacional, responsável por cerca de 86% da produção do país e o principal exportador da leguminosa. De acordo com o IEA, o estado produz, em média, mais de 700 mil toneladas por ano e as principais regiões produtoras são, respectivamente, Tupã (13,6%), Marília (12,7%) e Jaboticabal (12,2%).
Para o secretário executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Alberto Amorim, o desempenho do amendoim paulista é resultado da soma entre pesquisa, inovação e governança setorial. “O setor do amendoim é motivo de orgulho para o agro paulista, não apenas pelos números históricos de produção e exportação, mas pela sólida base científica construída pelo Instituto Agronômico (IAC-Apta), responsável por variedades que transformaram a competitividade da cultura. Esse avanço só foi possível graças à atuação incansável da Câmara Setorial do Amendoim, que há mais de 10 anos lidera, de forma exemplar, o desenvolvimento e a integração desta cadeia produtiva em nosso Estado”, frisou o secretário executivo.
O IAC é uma referência em pesquisas com amendoim no Brasil. “O programa de melhoramento genético de amendoim do IAC, de Campinas, é de renome internacional e é o responsável por 80% das variedades cultivadas de amendoim no Brasil”, afirma Ignácio José de Godoy, pesquisador do IAC. Essas variedades foram criadas para beneficiar os produtores, com alta produtividade e resistência a doenças e pragas, bem como para melhorar a qualidade do produto, tornando-o mais competitivo principalmente no mercado externo. As áreas de pesquisa do IAC com o amendoim abrangem o melhoramento genético, técnicas para o controle de pragas e doenças e para o manejo sustentável do solo.
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