
Panetone ganha mais tempo na mesa do brasileiro, mas também faz sucesso no exterior
Freepik
Resumo
O panetone fabricado no Brasil registrou desempenho histórico em 2025, com exportações de US$ 20,6 milhões até novembro, crescimento de 2,8% em valor e 4,4% em volume em relação ao ano anterior, totalizando 5,1 mil toneladas embarcadas, segundo dados da Abimapi.
Os Estados Unidos lideraram as importações, com US$ 11,2 milhões (3 mil toneladas), seguidos por Paraguai, Peru, Japão, Canadá e a recente abertura do mercado mexicano; o perfil dos produtos exportados varia conforme o país, destacando panetones tradicionais em mercados consolidados e versões com chocolate em países com forte presença de imigrantes brasileiros.
O mercado interno movimentou R$ 1,2 bilhão entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, alta de 29,6%, impulsionado pela ampliação do consumo para além do Natal, predominância do café da manhã (72% das ocasiões), crescimento das vendas em atacarejos e aumento da procura por embalagens menores e versões recheadas.
O panetone fabricado no Brasil consolidou sua posição no cenário global em 2025, registrando um desempenho histórico de vendas. Dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães Industrializados (Abimapi) revelam que as exportações do produto alcançaram a marca de US$ 20,6 milhões até novembro. O volume representa um crescimento de 2,8% em valor e 4,4% em volume na comparação com o ano anterior, totalizando 5,1 mil toneladas embarcadas.
Este resultado simboliza o amadurecimento da indústria nacional de trigo e panificação no comércio exterior, superando, por exemplo, o faturamento total registrado em todo o ano de 2020. A estratégia de internacionalização, apoiada pela ApexBrasil, tem aberto portas tanto em mercados tradicionais quanto em novas fronteiras.
Destinos e preferências globais
Além da potência norte-americana, outros mercados apresentaram altas expressivas, com destaque para a América Latina e a abertura do México:
- Paraguai: US$ 1,7 milhão (+14,9%);
- Peru: US$ 1,2 milhão (+50,1%);
- Japão: US$ 800 mil (+9,8%);
- Canadá: US$ 800 mil (+47,6%);
- México: US$ 500 mil (mercado aberto neste ano).
Segundo Rodrigo Iglesias, diretor internacional da Abimapi, o tipo de produto exportado varia conforme o perfil do consumidor. Em países como o Peru, onde o hábito já existe, o panetone tradicional de frutas domina. Já nos mercados com forte presença de imigrantes brasileiros — o chamado "mercado da saudade" —, como EUA, Japão e Reino Unido, as versões com gotas de chocolate e recheadas são as mais procuradas.
Confira aqui o ranking dos melhroes panetones de 2025
Mudança de hábitos: do Natal ao café da manhã
Enquanto as exportações crescem, o mercado interno passa por uma transformação nos hábitos de consumo. O setor movimentou R$ 1,2 bilhão entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, uma alta de 29,6% em valor, segundo dados da NielsenIQ.
O produto, antes restrito à noite de Natal, agora ocupa a mesa dos brasileiros por mais tempo. Um estudo da Worldpanel by Numerator indica que as compras em dezembro caíram de 76% (em 2022) para 57% (em 2024), enquanto o consumo em janeiro de 2025 saltou para 34%.
Essa extensão do calendário vem acompanhada de novas ocasiões de consumo. O café da manhã se tornou o principal momento para comer panetone, representando 72% das ocasiões — um aumento de 200%.
Atacarejo e novos perfis de consumidores
A democratização do acesso ao produto passa diretamente pelo formato de loja "Atacarejo", que respondeu por 19,4% do consumo total. Esse canal foi essencial para atrair novos compradores, especialmente das classes D e E (20,3% dos novos clientes) e o público jovem de até 29 anos (18%).
Outra tendência observada é a busca por praticidade. Durante o chamado "snacking time" (lanches rápidos), as vendas de embalagens menores, de até 100g, cresceram 75%.
Seja na versão mini para o lanche da tarde ou na versão recheada para a sobremesa — segmento que cresceu 41,3% em valor —, o panetone deixa de ser apenas um símbolo natalino para se tornar um item recorrente na cesta de alimentos da família brasileira durante o verão.

