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Feijão carioca fica mais barato em todo o Brasil com o avanço da colheita

Sobreposição de safras provoca um bom aumento de feijão no mercado; feijão carioca fica mais barato e feijão preto mantém preços estáveis

VIVIANE TAGUCHI

03/08/2026 • 11:49 • Atualizado em 03/08/2026 • 11:49

Após meses em alta, finalmente o preço do feijão está caindo em todo o Brasil e isso se deve ao aumento da oferta. A maior disponibilidade de grãos no mercado acontece agora devido á transição entre o fim da segunda safra e o início da terceira safra de feijão, de acordo com informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

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A queda nos valores foi sentida com mais intensidade no feijão carioca, que é a variedade mais consumida no país e a tendênica atingiu até os lotes de melhor qualidade, conhecidos comercialmente como “feijão tipo 1”. Por outro lado, o feijão-preto apresentou maior estabilidade de preços no mesmo período. A menor oferta esperada para a atual temporada sustentou as cotações do produto, especialmente no estado do Paraná.

De acordo com os pesquisadores do Cepea, os produtores rurais tentaram manter os valores pedidos pelas sacas nas últimas semanas. No entanto, o ritmo acelerado da colheita e a entrada diária de novos lotes no mercado inviabilizaram a sustentação dos preços.

Do lado dos compradores, a estratégia foi adiar parte das aquisições de feijão carioca. As empresas distribuidoras e empacotadores preferiram aguardar novas quedas, na expectativa de encontrar um volume ainda maior de grãos disponíveis nas próximas semanas.

Esse comportamento da ponta compradora reforçou o movimento de queda no mercado. Como a oferta superou a procura imediata em curto prazo, o poder de negociação esteve concentrado nas mãos dos compradores.

No caso do feijão-preto tipo 1, o cenário registrado pelo Cepea foi de menor oscilação de valores. Embora a demanda por parte do consumidor e dos distribuidores também estivesse enfraquecida em julho, a limitação na oferta evitou desvalorizações mais acentuadas.

A perspectiva de uma safra menor no Paraná, um dos principais estados produtores do grão no Brasil, funcionou como um freio para ajustes negativos mais expressivos nas cotações. Dessa forma, enquanto o feijão carioca registrou desvalorização constante, a variedade preta manteve patamares mais firmes no fechamento do mês.

Para compreender a oscilação dos preços no agronegócio, é preciso entender como funciona o calendário agrícola do feijão no Brasil. O cultivo da leguminosa é dividido em três períodos principais ao longo do ano.

A segunda safra, também chamada de safrinha, é colhida em geral entre os meses de maio e julho. Já a terceira safra, frequentemente irrigada, começa a chegar ao mercado logo em seguida, entre os meses de julho e setembro. Quando o encerramento da colheita da segunda safra coincide com o início da retirada dos grãos da terceira safra, ocorre a chamada sobreposição de safras.

Nesse momento de transição, o volume total de feijão disponível para venda aumenta de forma rápida. A lei da oferta e da procura entra em ação: quanto mais produto está disponível no mercado, menor tende a ser o preço pago ao produtor.

A queda na cotação do feijão nas fazendas tende a aliviar o custo de vida nas cidades. O grão é um dos itens mais tradicionais na mesa do brasileiro e influencia diretamente os índices de inflação de alimentos.

Para o produtor rural, a redução do preço exige maior planejamento financeiro e gestão dos custos de produção. A comercialização estratégica e o monitoramento diário do mercado tornam-se ferramentas fundamentais para garantir a rentabilidade da lavoura.

A evolução dos preços nos próximos meses dependerá do volume final colhido na terceira safra e das condições climáticas nas regiões produtoras de todo o país.