
Laranja contaminada por Greening
Divulgação/SAA
O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), anunciou a abertura de um novo edital público visando reforçar a linha de frente contra a maior ameaça à citricultura mundial. Com um investimento estimado em R$ 3,6 milhões anuais, a medida tem como objetivo contratar 28 profissionais especializados para atuar diretamente no combate ao HLB (Huanglongbing), popularmente conhecido como Greening.
A iniciativa busca selecionar uma Organização da Sociedade Civil (OSC) para atuar em colaboração com a Defesa Agropecuária do estado. O contrato terá validade inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação. As entidades interessadas devem apresentar suas propostas até o dia 26 de janeiro de 2026.
Segundo Alberto Amorim, secretário executivo de Agricultura e Abastecimento, a ação é vital para a economia paulista. “Essa é uma medida fundamental para a preservação da cadeia da citricultura em nosso Estado. Mais monitoramento é sinônimo de maior segurança e consequentemente, maior produtividade para os pomares paulistas”, afirma Amorim.
Ele destaca ainda a relevância econômica do setor: “São Paulo concentra aproximadamente 80% da produção nacional e gerou quase 50 mil empregos só em 2024”.
Estratégia de regionalização
O plano de trabalho prevê a divisão dos novos profissionais em seis equipes estratégicas. O grupo será composto por dois engenheiros agrônomos, 24 inspetores de pragas e dois auxiliares administrativos. Essa força-tarefa será distribuída por regiões produtoras vitais do estado. O objetivo é permitir uma fiscalização mais assertiva e adaptada à realidade de cada localidade.
Para Alexandre Paloschi, engenheiro agrônomo e chefe do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal (DSV), essa mobilidade é o diferencial do projeto. “Serão profissionais que estarão focados em inspeções de Greening nos ajudando a regionalizar as ações do Estado e ter medidas diferentes de acordo com a incidência da doença”, explica Paloschi.
O agrônomo reforça que o foco principal é o controle do vetor da bactéria. “Com reforço na fiscalização, pretendemos ter maior sucesso no controle efetivo do psílideo, inseto vetor da doença”, acrescenta.
Cenário da doença e fiscalização rigorosa
O combate ao Greening exige vigilância constante, já que a doença não tem cura e compromete a qualidade e a produtividade dos frutos. Dados do Levantamento de Greening 2025, realizado pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), mostram que a situação exige atenção máxima.
A incidência da doença no cinturão citrícola de São Paulo subiu de 44,35% em 2024 para 47,63% em 2025. Houve também um aumento na severidade média das plantas afetadas.
No entanto, o cenário traz um sinal positivo: pelo segundo ano consecutivo, a taxa de crescimento da doença desacelerou. Além disso, houve queda expressiva da incidência em pomares mais jovens.
Isso indica que as estratégias de manejo preventivo e a erradicação rápida de plantas doentes, adotadas pelos citricultores, estão surtindo efeito.
Ações de defesa e proibições
A Defesa Agropecuária mantém uma rotina intensa de fiscalização. Somente em 2025, foram inspecionadas 17.549 propriedades com foco no HLB. A operação resultou na retirada de 60.316 mudas de circulação. O estado também endureceu a legislação. Desde maio de 2025, a Resolução nº 24 proíbe a produção, o comércio e o plantio de mudas de murta (Murraya paniculata) em todo o território paulista.
A murta, muito usada em paisagismo urbano, é a principal hospedeira do psilídeo (Diaphorina citri), o inseto que transmite a bactéria do Greening para os laranjais. A proibição visa eliminar esses "reservatórios" da doença nas cidades e áreas rurais. A SAA mantém um canal direto para que produtores e a população denunciem pomares abandonados ou mal manejados, que servem de foco para a proliferação da praga.
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