
Cacau já foi protagonista da economia nacional
Seagri/SP
O dia 26 de março é celebrado, desde 2015, como o Dia do Cacau. A data foi instituída oficialmente no Brasil pela Lei nº 13.222/2015. A escolha da data e a criação da lei tiveram como objetivo principal valorizar a cacauicultura nacional, destacando a importância econômica, social e ambiental dessa cultura para o país. Já o dia 7 de julho é celebrado o dia internacional do chocolate e o dia 1 de outubro, dia internacional do cacau.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais e o cultivo do cacau é fundamental para a economia de diversos municípios, especialmente na Bahia e no Pará. O fruto é protagonista de uma das trajetórias mais dramáticas e resilientes da agricultura brasileira. O Brasil, já figurou entre os maiores produtores globais, vive hoje um processo de retomada focado em tecnologia e preservação ambiental, superando décadas de estagnação após crises sanitárias.
O auge histórico e a queda com a vassoura-de-bruxa
A história do cacau no Brasil confunde-se com o desenvolvimento do sul da Bahia. Entre o final do século XIX e o início do XX, o "ouro negro" gerou fortunas e consolidou o poder político dos chamados coronéis do cacau. A região de Ilhéus e Itabuna tornou-se um polo de riqueza e influência, levando o país à vice-liderança da produção mundial.
No entanto, em 1989, a introdução do fungo Moniliophthora perniciosa, popularmente conhecido como vassoura-de-bruxa, devastou as plantações baianas. A praga causou uma queda drástica na produtividade, levando produtores à falência e transformando o Brasil de exportador em importador de amêndoas por anos.
Pará lidera a produção nacional de cacau
Após décadas de reestruturação, o cenário atual mostra uma nova geografia produtiva. Hoje, o Pará é o maior produtor de cacau do Brasil. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado paraense responde por mais de 50% da produção nacional.
A região da Transamazônica, com destaque para municípios como Medicilândia — considerada a capital nacional do cacau —, apresenta solos férteis e clima favorável, o que garante uma produtividade superior à média tradicional. A Bahia ocupa a segunda posição, mantendo a tradição e focando cada vez mais no segmento de amêndoas finas e chocolates de origem.
Entenda os tipos de lavoura no Brasil
A modernização do setor trouxe diferentes modelos de cultivo que buscam equilibrar produtividade e conservação:
- Sistema Cabruca: Tradicional na Bahia, consiste no plantio do cacaueiro sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica. É um modelo de conservação ambiental que preserva a biodiversidade local.
- Sistemas Agroflorestais (SAFs): Muito comuns no Pará, onde o cacau é plantado junto a outras espécies, como açaí e banana. Esse sistema recupera áreas degradadas e diversifica a renda do produtor.
- Pleno Sol: Modelo mais intensivo e tecnológico, comum em novas fronteiras como o Oeste Baiano. Exige maior controle de irrigação e fertilização, visando a máxima produtividade por hectare.
Atualmente, o setor trabalha com a meta de autossuficiência e a retomada do protagonismo nas exportações, impulsionado pela valorização da amêndoa no mercado internacional e pela crescente demanda por produtos sustentáveis.
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