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Hortaliças e carnes pressionam inflação e pesam no bolso do consumidor

Alta de 1,56% nos alimentos em março reflete entressafra e custos logísticos no campo

VIVIANE TAGUCHI

10/04/2026 • 11:50 • Atualizado em 10/04/2026 • 11:50

Clima irregular prejudica a produção de legumes; carne também está mais cara

Clima irregular prejudica a produção de legumes; carne também está mais cara

Canva, 2023

O grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 1,56% em março e foi o segundo maior impacto individual no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira (10), a inflação dos alimentos foi impulsionada pela alimentação no domicílio, que acelerou para 1,65% no período.

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O movimento reflete diretamente a combinação de fatores climáticos e a entressafra de produtos essenciais, afetando o poder de compra das famílias brasileiras. O impacto de 0,33 ponto percentual (p.p.) no índice geral só ficou atrás do grupo de Transportes.

Os principais responsáveis pela pressão inflacionária foram os produtos in natura. O tomate liderou as altas com um salto de 20,31%, seguido pela cebola (17,25%) e pela batata-inglesa (12,17%).

Além dos legumes, as carnes apresentaram alta de 1,73% em março. Em Salvador (BA), a pressão foi ainda mais severa, chegando a 3,56% de aumento. A menor disponibilidade de animais prontos para o abate e os custos elevados com pastagem limitaram a oferta no mercado interno.

O leite longa vida também pesou no orçamento, com alta de 11,74%. Esse aumento é explicado pelo período de entressafra na pecuária leiteira, momento em que a produção diminui naturalmente devido às condições das pastagens.

Logística e clima encarecem produção

Para além da "porteira para dentro", fatores externos contribuíram para o encarecimento da cesta básica. O preço do óleo diesel subiu 13,90% em março, o que elevou o custo do frete para o escoamento da produção agrícola das fazendas até os supermercados.

Somado a isso, instabilidades climáticas atingiram microrregiões produtoras, reduzindo a produtividade de legumes e hortaliças. Analistas de mercado da FGV já apontavam para uma "pressão de compensação" nos preços em 2026, após um ano de 2025 com patamares mais baixos.