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Imigração japonesa moldou agricultura brasileira e fortaleceu o cultivo de hortaliças

Colônia japonesa trouxe técnicas agrícolas, ajudou no desenvolvimento do cerrado e consolidou hortaliças no Cinturão Verde de São Paulo

Por Redação
REDAÇÃO

26/09/2025 • 11:55 • Atualizado em 26/09/2025 • 11:55

A salada presente nas refeições dos brasileiros carrega uma história ligada à imigração japonesa, que transformou a agricultura no país ao longo de mais de um século. Pepino, alface, tomate, rúcula, acelga, cenoura, beterraba e couve são apenas alguns dos alimentos que ganharam espaço nas mesas graças ao trabalho dos imigrantes vindos do Japão.

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O processo começou em 1908, com a chegada do navio Kasato Maru, trazendo os primeiros japoneses ao Porto de Santos (SP). Anos depois, em 1925, o Manila Maru desembarcou 480 imigrantes, em sua maioria jovens com experiência no cultivo de arroz.

“Os japoneses eram especialistas e trouxeram até instrutores para orientar o plantio do arroz no Brasil”, lembrou um participante no programa.

Do café às novas culturas

Nos primeiros anos, os imigrantes japoneses trabalharam nas lavouras de café de São Paulo. Após dois anos, eram liberados para adquirir terras e investir em outras culturas. Foi o que fez o avô de Gildo Saito, produtor de cogumelos. “Além do café, ele começou a plantar amendoim e algodão, que na época davam bom retorno financeiro. Com isso, ele conseguiu crescer”, contou.

Transformação do cerrado brasileiro

Na década de 1970, os japoneses tiveram papel decisivo na transformação do cerrado. Técnicas agrícolas vindas do Japão ajudaram a adaptar a região, até então vista como improdutiva, e a consolidá-la como área estratégica para o plantio de grãos, especialmente a soja. O engenheiro agrônomo George Hiraiwa lembra que um renomado agrônomo japonês veio ao Brasil ensinar novas técnicas.

“Como se doma um solo ácido, que não valia nada? Trouxeram o melhor professor de solos do Japão, que ensinou algo simples: aplicar calcário para corrigir a acidez e melhorar a fertilidade”, relatou outro entrevistado.

Hortaliças no Cinturão Verde de São Paulo

Uma das maiores colônias japonesas se estabeleceu em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. As primeiras famílias investiram em frutas, mas, diante do longo ciclo de produção, optaram por batatas e hortaliças, que garantiam retorno financeiro mais rápido.

Hoje, a cidade integra o Cinturão Verde de São Paulo, responsável por cerca de um quarto do abastecimento de hortaliças no estado.

Alberto Seguchi, agricultor de 60 anos, seguiu a tradição do pai desde cedo. “Quando fiz sete anos, ele disse que já podia ajudar na roça. É gratificante saber que o que eu produzo está fazendo bem a alguém”, afirmou.

Legado da imigração

Mais de cem anos após a chegada dos primeiros navios, a contribuição japonesa segue presente no campo e na mesa do brasileiro. A adaptação de técnicas, a introdução de culturas e a dedicação ao trabalho consolidaram uma herança agrícola que transformou o país e ampliou a diversidade da alimentação nacional.