Agroband

Imigrante japonês revolucionou o agronegócio brasileiro; veja suas criações

Shunji Nishimura criou o mais popular pulverizador costal do mundo e ainda, a primeira colheitadeira de café; em Pompeia, ele fundou a Jacto

VIVIANE TAGUCHI

29/06/2026 • 06:00 • Atualizado em 29/06/2026 • 06:00

Pulverizador costal foi uma invenção do imigrante japonês Shunji Nishimura

Pulverizador costal foi uma invenção do imigrante japonês Shunji Nishimura

Divulgação/Jacto

A trajetória de Shunji Nishimura, imigrante japonês que chegou ao Brasil em 1932, é um pilar fundamental da mecanização agrícola nacional. Partindo de uma modesta oficina em Pompeia (SP), aberta em 1939 com a placa "Conserta-se tudo", Nishimura transformou o cenário do agronegócio brasileiro ao oferecer soluções práticas para os desafios dos produtores rurais.

Compartilhar

A necessidade de prestar assistência técnica e encontrar peças de reposição na época impulsionou a criação da Jacto. A antiga oficina transformou-se em uma das mais prósperas agroindústrias de máquinas e equipamentos do mundo. E o nome, contam seus filhos, surgiu por um acaso: um jato cruzou o céu de Pompeia bem no momento que Shunji precisava decidir o novo nome do negócio!

Em 1948, o fundador patenteou a primeira polvilhadeira nacional, marcando o início da produção própria de equipamentos. Já em 1958, a empresa lançou o pulverizador costal, tecnologia que acompanhou a modernização da indústria química, quando defensivos líquidos começaram a substituir os pós. O pulverizador costal é um dos equipamentos mais populares do mundo.

A invenção da primeira colhedora de café

Um dos marcos mais importantes dessa história ocorreu em 1979, com o lançamento da K3, reconhecida como a primeira colhedora de café do mundo. O projeto, cujas pesquisas começaram em 1973, teve um viés pessoal: Nishimura, que havia vivenciado a colheita manual, buscou uma alternativa para aliviar o trabalho exaustivo e os ferimentos nas mãos que os trabalhadores sofriam na lavoura.

Este legado de inovação constante, focado em robustez, assistência técnica e soluções adaptadas à realidade do produtor, consolidou a Jacto como um símbolo de tecnologia agrícola. Hoje, a trajetória de Shunji Nishimura é preservada pela Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia, que continua a promover o desenvolvimento educacional e tecnológico voltado ao setor, com foco em agricultura de precisão e formação em tecnologias do agro.