Brasil e Japão se enfrentam nesta segunda-feira (29) em fase eliminatória da Copa do Mundo. O Brasil nunca perdeu uma partida de futebol para o Japão e, para continuar na competição, tem que vencer o time nipônico. No agronegócio, porém, não há rivalidade e os dois países mantem uma relação estratégica e consolidada na balança comercial. O Japão é um dos principais ‘clientes’ do Brasil – além de ter a maior população japonesa fora do país - e estão entre os maiores importadores de soja, milho e carne de frango.
Historicamente, a agricultura brasileira tem uma forte influência dos japoneses desde o início da imigração. Foram eles que mudaram hábitos alimentares brasileiros e introduziram, após os anos 1910, culturas de hortaliças e frutas, além das contribuições tecnológicas que transformaram o Cerrado em uma das regiões mais produtivas do mundo. De norte a sul do país, o toque japonês na agricultura transformou economias locais e introduziu alimentos “diferentes” na dieta brasileira.
Atualmente, o agronegócio brasileiro exporta em torno de US$ 7 bilhões por ano para o mercado japonês. O "complexo soja" (grão e farelo), milho e café figuram como os produtos mais tradicionais nas trocas bilaterais. No setor de proteína animal, a carne de aves possui autorização sanitária consolidada, integrando uma base robusta de fornecimento para os japoneses.
A imigração japonesa, que completou 118 anos, foi o alicerce dessa integração. Além de introduzir a horticultura intensiva e desenvolver polos exóticos, especialmente na região amazônica, com a cultura de pimenta-do-reino e os conhecidos cinturões verdes que abastecem capitais, a tecnologia japonesa foi decisiva na transformação do Cerrado através do Prodecer, um acordo bilateral focado no desenvolvimento de grãos.

Exportar carne bovina para o Japão será um ‘gol’
Enquanto a soja se mantém como o principal elo comercial entre o Mato Grosso e o mercado japonês, as atenções do setor exportador brasileiro estão voltadas para uma nova fronteira: a carne bovina. Atualmente, o comércio de proteína bovina ainda enfrenta barreiras sanitárias e não inclui o produto in natura nos acordos vigentes.
A abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira representa o objetivo central das próximas negociações entre os dois governos. Especialistas do setor avaliam que a conquista desse mercado elevaria o patamar das trocas comerciais, consolidando o Brasil como um fornecedor completo de proteína animal para o Japão.
A relação entre as nações transcende o comércio e se reflete na estrutura de cooperativas brasileiras, muitas das quais possuem forte influência do modelo de gestão e organização introduzido pela imigração nipônica. A continuidade dos diálogos técnicos e diplomáticos é vista como essencial para transpor os desafios sanitários remanescentes e ampliar a pauta de produtos brasileiros que chegam à mesa dos consumidores japoneses.
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