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Imigração japonesa revolucionou o agronegócio no Brasil há 118 anos

Introdução da horticultura intensiva, polos exóticos na Amazônia e o pioneirismo no Cerrado transformaram o perfil da produção nacional

VIVIANE TAGUCHI

18/06/2026 • 05:00 • Atualizado em 18/06/2026 • 05:00

Imigrantes japoneses criaram polos de produção agrícola na Amazônia

Imigrantes japoneses criaram polos de produção agrícola na Amazônia

Divulgação/Secr.Agr. Tomé Açu

Há 118 anos, o navio Kasato Maru atracava no Porto de Santos (SP) trazendo 781 imigrantes japoneses. Após 1908, cerca de outros 190 navios vindos do Japão fizeram o mesmo trajeto trazendo japoneses, que em busca de “ouro verde” (café) deixaram o Japão para trabalhar em lavouras brasileiras.

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Segundo dados do Museu da Imigração, o ápice da imigração japonesa no Brasil ocorreu entre os anos de 1926 e 1935, com cerca de 240 mil japoneses. Hoje, estima-se que existam mais de 2 milhões de descendentes destes imigrantes no Brasil.

O movimentou influenciou, não somente a cultura brasileira, mas principalmente, a agricultura. Com a chegada dos imigrantes, que vieram inicialmente para atuar em lavouras de café no interior de São Paulo, outras áreas ganharam projeção no campo, principalmente as culturas de algodão e de hortaliças e frutas. E com isso, hábitos alimentares também foram introduzidos no país.

A revolução na mesa dos brasileiros

Os imigrantes japoneses foram os responsáveis diretos pela introdução ou pela grande difusão de alimentos como acelga, couve, berinjela e rabanete. Itens como nabo, cebolinha, pepino japonês, caqui, maçã, pera e uva também passaram a fazer parte do cardápio do país por causa da colônia.

Essa produção em larga escala permitiu o estabelecimento de cinturões verdes determinantes para o abastecimento em São Paulo e no Paraná. A transição da monocultura do café para a policultura de alimentos consolidou novas técnicas de agricultura intensiva. Registros oficiais da Embrapa corroboram o papel indispensável dos nikkeis (descendentes) nessa mudança.

Na Região Norte, os núcleos de Tomé-Açu (PA), Maués (AM) e Parintins (AM) impulsionaram a economia local a partir de 1929. A região estava estagnada desde o fim do ciclo da borracha. Os japoneses introduziram com sucesso culturas exóticas como a pimenta-do-reino e a juta na Amazônia, criando novos polos econômicos.

No interior de São Paulo, os japoneses cultivaram algodão em larga escala, além de terem criado polos de produção do verdadeiro chá, como na região de Registro. Em todo o Brasil, apenas quatro propriedades rurais familiares são responsáveis pelo cultivo do chá no Brasil.

Associativismo e o avanço no Cerrado

Além do trabalho direto no campo, a colônia japonesa revolucionou o agronegócio brasileiro por meio do associativismo. Os imigrantes lideraram a criação da histórica Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC), fundada em 1927. A organização tornou-se um marco do cooperativismo nacional até o encerramento de suas atividades em 1994.

Na década de 1970, parcerias técnico-científicas entre os governos do Brasil e do Japão abriram novas fronteiras agrícolas. O esforço conjunto ajudou a corrigir o solo ácido e permitiu o desenvolvimento do Cerrado para a produção comercial de soja.

O avanço tecnológico no setor de maquinário agrícola também tem forte DNA japonês por meio da trajetória de Shunji Nishimura. O imigrante fixou-se em Pompeia (SP), onde fundou a Jacto. Foi Shunji quem inventou a primeira colheitadeira de café do mundo, a pioneira Jacto K-3. Ele criou a máquina após sofrer, quando criança, para colher café manualmente nas lavouras,

A companhia se transformou em um império global que exporta maquinário para dezenas de países. Em 1979, Nishimura instituiu a Fundação Shunji Nishimura de Tecnologia. A entidade mantém o foco voltado para a educação e para a inovação tecnológica no campo.