A inadimplência no agronegócio brasileiro encerrou o último ano em 8,2%, um avanço em relação aos 7,2% registrados no mesmo período de 2024, segundo dados da Serasa Experian. O crescimento do endividamento pressiona a tramitação do Projeto de Lei 5.122/2023, que propõe a renegociação de dívidas rurais, mas enfrenta resistência do governo federal no Senado após avançar na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Os números refletem a urgência de uma solução para o setor. De acordo com o estudo da Serasa Experian, que considera dívidas vencidas há mais de 180 dias, a maior parte das pendências está concentrada no sistema financeiro. Entre os perfis mais comprometidos, os arrendatários — produtores que alugam terras para cultivar — lideram o índice de inadimplência com 9,9%.
Logo em seguida aparecem os produtores de grande porte, com taxa de 9,8%. Já os médios produtores registram 8,3% de inadimplência, enquanto os pequenos produtores apresentam o menor índice entre as categorias analisadas, com 7,8%.
O impasse político no Senado
Apesar da aprovação na CAE, o governo federal sinalizou que não deve facilitar o andamento da matéria. O principal ponto de discórdia envolve o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para custear a linha especial de renegociação. O Executivo defendia a exigência de uma entrada de 10% a 20% do valor da dívida para o acesso ao crédito, além de taxas de juros entre 6% e 12%.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), no entanto, rejeitou esses termos. O texto que avançou na comissão não prevê barreira de entrada e estabelece juros mais baixos, entre 3,5% e 7,5%. Diante do impasse, o governo cogita medidas restritivas, como a edição de uma Medida Provisória (MP) com regras próprias ou até o veto presidencial ao projeto.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a bancada não aceitará o desmonte da proposta. O parlamentar defende a manutenção do texto aprovado na CAE para garantir uma solução efetiva ao endividamento dos produtores brasileiros.
Crédito rural e recursos direcionados
Dados do Banco Central (BC) de abril deste ano corroboram o cenário crítico. A inadimplência nas operações de crédito rural com recursos direcionados — aqueles com taxas e fontes reguladas pelo governo — atingiu 7,4%. Este é o segundo maior patamar registrado desde o início da série histórica da instituição, iniciada em 2011.
Em outras modalidades, a variação é acentuada. As operações com juros livres registraram 13,3% de inadimplência em abril, já as operações sob diretrizes fixas apresentaram índice de 3,1%.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

