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Inadimplência no campo sobe para 8,2% e governo trava PL de renegociação

Levantamento da Serasa Experian aponta alta no endividamento rural enquanto entraves no Senado dificultam avanço de projeto de lei que socorre produtores

Da redação
DA REDAÇÃO

02/06/2026 • 12:46 • Atualizado em 02/06/2026 • 12:46

A inadimplência no agronegócio brasileiro encerrou o último ano em 8,2%, um avanço em relação aos 7,2% registrados no mesmo período de 2024, segundo dados da Serasa Experian. O crescimento do endividamento pressiona a tramitação do Projeto de Lei 5.122/2023, que propõe a renegociação de dívidas rurais, mas enfrenta resistência do governo federal no Senado após avançar na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

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Os números refletem a urgência de uma solução para o setor. De acordo com o estudo da Serasa Experian, que considera dívidas vencidas há mais de 180 dias, a maior parte das pendências está concentrada no sistema financeiro. Entre os perfis mais comprometidos, os arrendatários — produtores que alugam terras para cultivar — lideram o índice de inadimplência com 9,9%.

Logo em seguida aparecem os produtores de grande porte, com taxa de 9,8%. Já os médios produtores registram 8,3% de inadimplência, enquanto os pequenos produtores apresentam o menor índice entre as categorias analisadas, com 7,8%.

O impasse político no Senado

Apesar da aprovação na CAE, o governo federal sinalizou que não deve facilitar o andamento da matéria. O principal ponto de discórdia envolve o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para custear a linha especial de renegociação. O Executivo defendia a exigência de uma entrada de 10% a 20% do valor da dívida para o acesso ao crédito, além de taxas de juros entre 6% e 12%.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), no entanto, rejeitou esses termos. O texto que avançou na comissão não prevê barreira de entrada e estabelece juros mais baixos, entre 3,5% e 7,5%. Diante do impasse, o governo cogita medidas restritivas, como a edição de uma Medida Provisória (MP) com regras próprias ou até o veto presidencial ao projeto.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a bancada não aceitará o desmonte da proposta. O parlamentar defende a manutenção do texto aprovado na CAE para garantir uma solução efetiva ao endividamento dos produtores brasileiros.

Crédito rural e recursos direcionados

Dados do Banco Central (BC) de abril deste ano corroboram o cenário crítico. A inadimplência nas operações de crédito rural com recursos direcionados — aqueles com taxas e fontes reguladas pelo governo — atingiu 7,4%. Este é o segundo maior patamar registrado desde o início da série histórica da instituição, iniciada em 2011.

Em outras modalidades, a variação é acentuada. As operações com juros livres registraram 13,3% de inadimplência em abril, já as operações sob diretrizes fixas apresentaram índice de 3,1%.