
Festa Junina
Agência Brasil
As festas juninas chegam mais pesadas para o bolso do consumidor neste ano, impulsionada pelo avanço nos preços dos doces típicos. Uma análise feita pela Neogrid em supermercados e atacarejos de várias regiões brasileiras revela um cenário misto para o arraial: enquanto os produtos derivados de amendoim registraram fortes altas nos últimos 12 meses, bebidas como vinhos e cachaças ficaram estáveis ou mais baratas.
No balanço geral, o custo total para montar a mesa do arraial exige maior desembolso em comparação ao ano passado. Apesar da pressão inflacionária nos alimentos, o recuo nos valores das bebidas alcoólicas nacionais ajuda a suavizar o impacto no orçamento final das famílias.
Doces de amendoim puxam a 'alta do arraiá'
Os doces tradicionais do período junino apresentaram o quadro mais heterogêneo do levantamento. O principal destaque negativo ficou com o doce de amendoim, cujo preço médio por quilo saltou de R$ 43,56 para R$ 56,11. O avanço expressivo de 28,8% foi motivado diretamente pela valorização do amendoim in natura no mercado nacional.
O pé de moça também registrou encarecimento significativo de 13%, atingindo o patamar médio de R$ 86,29 por quilo. Em contrapartida, outros itens da categoria subiram de forma mais comportada. A paçoca acumulou alta de 5,2% e o pé de moleque subiu 3,6% no período avaliado.
Para o consumidor que busca economizar, o pingo de leite surge como o maior recuo da categoria. O produto apresentou queda de 15,1% e encerrou o período cotado a R$ 65,61 por quilo. A cocada em barra recuou 2,5% e o doce de leite em barra caiu 1,3%. A rapadura permaneceu estável com oscilação negativa de 0,2%, mantendo-se a R$ 24,50 por quilo.
Clima e demanda pressionam o milho e a pipoca
O amendoim in natura acumulou valorização de 11,9% de maio de 2025 a maio de 2026. O avanço reflete pressões climáticas na lavoura e o aumento da procura, fatores que se espalharam por toda a cadeia produtiva. O movimento impactou a pipoca de micro-ondas, que subiu 12,1% e passou a custar R$ 48,31 por quilo.
O milho para pipoca tradicional ficou praticamente estável, com variação positiva de apenas 0,8%, vendido em média a R$ 11,57 por quilo. Nas hortaliças, o milho verde fresco encareceu 6,7%, enquanto o milho em conserva (enlatado) teve queda simbólica de 0,02%, comercializado a R$ 22,74 por quilo.
Bebidas registram queda e facilitam quentão
Os consumidores que pretendem preparar o tradicional quentão ou o vinho quente encontrarão preços favoráveis nos principais ingredientes. O vinho fino nacional recuou 3,8%, passando de R$ 48,42 para R$ 46,59 por quilo. Já o vinho importado caiu 3,9%, para R$ 59,30 por quilo. A Neogrid atribui o recuo à combinação de um câmbio favorável e ao aumento da oferta de rótulos nacionais no varejo.
A cachaça branca, base do quentão, subiu apenas 1,1%, mantendo o nível médio de R$ 17,10 por quilo. A versão amarela recuou 0,7%, enquanto a artesanal oscilou 0,3% para cima, custando R$ 72,09 por quilo.
Entre as especiarias, a noz-moscada caiu 2,3% e encerrou o período a R$ 616,58 por quilo. A canela subiu 0,3% (R$ 282,77/kg) e o cravo-da-índia recuou 0,1% (R$ 521,39/kg). O gengibre foi a única exceção de alta expressiva nas receitas líquidas, com avanço de 12,9%, atingindo R$ 303,71 por quilo.
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