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Paçoca de carne seca é reconhecida como patrimônio cultural de Roraima

Prato tradicional une influências indígenas e nordestinas em preparo artesanal que preserva a identidade gastronômica do extremo norte do país

Da redação
DA REDAÇÃO

07/04/2026 • 08:50 • Atualizado em 07/04/2026 • 08:50

Resumo

Reconhecimento oficial da paçoca de carne seca como patrimônio histórico e cultural de Roraima destaca o prato como símbolo de identidade local, valorizando o preparo artesanal e a mistura de ingredientes regionais que refletem tradições indígenas e nordestinas.

Processo de fabricação manual preserva o sabor característico da receita, com carne seca dessalgada e desfiada misturada à farinha de mandioca e temperos típicos, sendo servida em ocasiões especiais e acompanhada de banana pacovan para equilibrar sabores.

Memória afetiva, transmissão de técnicas entre gerações e influência de povos nativos e migrantes reforçam a importância da paçoca para a cultura roraimense, com o reconhecimento protegendo o método tradicional e promovendo valorização econômica e turística.

A paçoca de carne seca de Roraima foi reconhecida oficialmente como patrimônio histórico e cultural do estado. O prato, que é considerado um símbolo da identidade local, destaca-se pelo preparo artesanal e pela mistura de ingredientes regionais que refletem a formação cultural roraimense, unindo tradições de povos originários e de migrantes nordestinos que se estabeleceram na região.

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Tradição e preparo artesanal da carne

A base da paçoca roraimense começa com a carne seca, que passa por um processo minucioso de dessalga e cozimento lento. Diferente de versões industrializadas, a receita tradicional preserva a textura característica através do desfiamento manual. Após o cozimento, a carne é misturada à farinha de mandioca e a temperos regionais, resultando em uma iguaria úmida e saborosa.

O processo de fabricação ainda segue métodos antigos, sendo feito totalmente à mão. Essa técnica respeita o tempo dos ingredientes e garante a manutenção do sabor que atravessa gerações. O prato é onipresente no dia a dia das famílias do estado e também ocupa lugar de destaque em celebrações e ocasiões especiais, servido puro ou acompanhado de arroz e banana pacovan.

A banana pacovan, termo comum na região Norte, é uma variedade de banana de grande porte, conhecida em outras partes do Brasil como banana-da-terra ou banana-comprida. No prato roraimense, ela oferece o contraste adocicado necessário para equilibrar o sal da carne e a neutralidade da farinha de mandioca.

Memória afetiva e identidade cultural

Para os produtores e moradores locais, a paçoca de carne seca vai além de um simples alimento. O prato é descrito como uma "memória afetiva" que resiste ao tempo. Muitos dos que preparam a receita atualmente aprenderam o ofício com antepassados, mantendo viva uma herança que une bisavós, mães e filhos no cotidiano da cozinha.

A influência indígena e nordestina é o pilar dessa gastronomia. Enquanto a farinha de mandioca e as técnicas de conservação de proteína remetem às raízes dos povos nativos da Amazônia, o uso da carne seca e certos temperos trazem a carga cultural dos nordestinos que migraram para o extremo norte brasileiro.

Ao ser reconhecida como patrimônio, a paçoca ganha uma camada extra de proteção e valorização econômica para o agronegócio familiar e para o turismo gastronômico de Roraima. O título assegura que o método de preparo tradicional seja preservado, incentivando as novas gerações a manterem viva a identidade cultural que define o estado.