
Pimenta-do-reino trazida por imigrante japonês transformou o Pará
Divulgação/Adepará
A trajetória da pimenta-do-reino na Amazônia é um exemplo claro de como a adaptação e a tecnologia podem transformar a vocação agrícola de uma região. O Pará, que hoje ocupa a segunda posição na produção nacional, superado apenas pelo Espírito Santo, deve essa posição de destaque à iniciativa de imigrantes japoneses que, na década de 1930, estabeleceram as bases para a escala comercial do cultivo no município de Tomé-Açu.
A introdução da especiaria em solo paraense não foi obra do acaso, mas o resultado de um projeto de colonização que trouxe novas práticas para o campo. Em 1933, o imigrante japonês Makinossuke Ussui desembarcou na região trazendo 20 mudas de pimenta-do-reino, vindas de Cingapura. Ao iniciar o plantio na colônia de Tomé-Açu, Ussui deu o primeiro passo para o que se tornaria, décadas mais tarde, um dos principais motores do desenvolvimento agrícola paraense.
A adaptação da planta ao clima amazônico foi surpreendente. Após a Segunda Guerra Mundial, o aprimoramento tecnológico e o manejo adequado da cultura permitiram que o Pará alcançasse o posto de maior produtor mundial de pimenta-do-reino por um longo período, consolidando a especiaria como uma commodity de exportação estratégica. A partir da experiência em Tomé-Açu, a cultura foi disseminada para diversos produtores brasileiros, que passaram a adotar as técnicas introduzidas pelos imigrantes.
Números do agronegócio paraense
Atualmente, o Pará reflete essa história de sucesso com números expressivos. O estado colheu 38.102 toneladas de pimenta-do-reino, cultivadas em uma área que abrange 17.739 hectares. Tomé-Açu permanece como um dos polos produtores mais importantes, mantendo viva a tradição e a técnica que impulsionaram o setor desde a década de 30.
A produção paraense é, hoje, a maior força do agronegócio da pimenta-do-reino na região Norte. Para se ter uma ideia da disparidade produtiva, outros estados da mesma região, como Rondônia, apresentam índices significativamente menores, com produções na casa de 124 toneladas em levantamentos recentes.
Esse cenário reforça a importância das parcerias e do intercâmbio de conhecimentos na agricultura. O trabalho iniciado pelos imigrantes japoneses em Tomé-Açu não apenas diversificou a matriz produtiva da Amazônia, mas também estabeleceu padrões de organização e produtividade que garantem ao Pará um lugar de protagonismo no mapa nacional do agronegócio até hoje
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

