O agronegócio brasileiro vive um momento de transição para práticas mais sustentáveis, com destaque para o avanço do controle biológico e o fortalecimento de cooperativas lideradas por mulheres. No Giro Brasil, do AgroBand, as notícias desta semana destacam desde o combate natural a pragas nas lavouras paulistas até o sucesso do cacau orgânico em Tefé, no Amazonas, evidenciando a diversidade e a força da produção nacional.
Controle biológico avança nas lavouras de São Paulo
Nas lavouras paulistas, as joaninhas estão se tornando as principais aliadas dos produtores rurais no combate a pragas. Esse tipo de controle biológico — técnica que utiliza organismos vivos para combater pragas e doenças sem o uso intensivo de produtos químicos — reduz drasticamente a necessidade de defensivos agrícolas tradicionais e ajuda a preservar a saúde da produção e do solo.
Os insetos, especialmente as joaninhas, alimentam-se de pulgões, cochonilhas e ácaros, protegendo diversas culturas agrícolas no estado. Para se ter uma ideia da eficiência desse método natural, uma única joaninha é capaz de consumir até 50 pulgões por dia. Esse manejo agroecológico promove um equilíbrio ambiental necessário para a sustentabilidade do setor no longo prazo.
A utilização desses "inimigos naturais" permite que o produtor diminua custos com insumos sintéticos e agregue valor ao produto final, atendendo a uma demanda crescente do mercado consumidor por alimentos cultivados com menor impacto ambiental.
Mulheres do Amazonas conquistam certificação orgânica
No Norte do país, o destaque vai para o município amazonense de Tefé. Um grupo composto por 22 mulheres agricultoras está transformando o cenário local com a produção de cacau orgânico e a fabricação de chocolates artesanais. Unindo o saber tradicional ao manejo agroecológico, essas produtoras foram as primeiras da região a conquistar a certificação orgânica, em 2021.
Todo o cacau utilizado no processo é colhido diretamente na floresta e processado de forma artesanal. O sistema de manejo agroecológico citado pelas produtoras refere-se a um modelo de produção que integra princípios ecológicos à agricultura, sem o uso de agrotóxicos ou fertilizantes químicos, respeitando a biodiversidade local e garantindo a preservação da Floresta Amazônica.
A certificação orgânica é um selo de garantia que assegura ao consumidor que o produto foi cultivado seguindo normas rígidas de preservação ambiental e responsabilidade social. Para as agricultoras de Tefé, o reconhecimento representa não apenas uma melhoria na renda familiar, mas também o fortalecimento do papel feminino na gestão do agronegócio regional.
Desafio no consumo de frutas no Vale do São Francisco
Apesar de o Brasil abrigar o Vale do São Francisco — maior polo de fruticultura irrigada do país, localizado entre a Bahia e Pernambuco —, o consumo interno de frutas ainda é considerado baixo. Segundo dados apresentados pelo setor, os brasileiros consomem menos do que o volume recomendado por órgãos de saúde internacionais.
O setor aponta que a principal barreira é a falta de incentivo ao consumo e a necessidade de maiores investimentos em divulgação e controle de qualidade. O Vale do São Francisco é referência global em tecnologia de irrigação e produtividade, mas grande parte da sua produção de alta qualidade é voltada para a exportação.
Especialistas defendem que é preciso criar estratégias para que o mercado interno tenha acesso facilitado a esses produtos, promovendo benefícios tanto para a saúde da população quanto para o escoamento da produção nacional, fortalecendo a economia regional de forma sustentável.
Acompanhe o mundo do agro!
As principais notícias do agronegócio toda semana e de graça, no seu email
Selecione os seus temas favoritos:

