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Joaninhas são aliadas estratégicas no controle biológico de pragas no campo

Pequenos besouros ajudam produtores rurais a proteger plantações de soja, citros e hortaliças ao consumir até 50 pulgões por dia

Da redação
DA REDAÇÃO

03/04/2026 • 15:40 • Atualizado em 03/04/2026 • 15:40

Joaninhas são benéficas para a agricultura

Joaninhas são benéficas para a agricultura

AgênciaSP

As joaninhas, embora pequenas e coloridas, desempenham um papel fundamental como guardiãs das plantações brasileiras. Elas são essenciais no controle biológico, atuando como predadoras naturais de diversas pragas que atacam cultivos economicamente vitais para o agronegócio.

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Segundo Erica Tomé, engenheira agrônoma da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) de Araraquara, o inseto beneficia praticamente todas as culturas. "Ela se alimenta de vários insetos, ácaros, cochonilhas, pulgões e moscas brancas", explica a especialista.

Uma única joaninha é capaz de consumir cerca de 50 pulgões em apenas um dia. Esse hábito alimentar voraz se estende por quase todo o ciclo de vida do animal, abrangendo tanto a fase larval quanto a idade adulta.

Pesquisas reforçam eficiência do controle biológico

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA) investe em estudos por meio do Instituto Biológico (IB) de Ribeirão Preto. O foco das investigações é entender a diversidade das espécies e como potencializar o uso desses insetos nas lavouras paulistas.

A pesquisadora Terezinha Monteiro, do IB, estuda o comportamento desses animais há anos. Ela ressalta que o controle biológico realizado pelas joaninhas é eficaz em hortaliças, cereais, grãos e pomares de laranja, reduzindo a dependência de intervenções químicas.

O controle biológico é uma técnica que utiliza inimigos naturais para manejar a população de pragas. No caso das joaninhas, elas oferecem uma solução sustentável que protege a produtividade sem agredir o ecossistema local.

Impacto na citricultura e produção de grãos

O estado de São Paulo, maior produtor de laranja do país, é um dos grandes beneficiários dessa proteção natural. Nos pomares de citros, as joaninhas combatem o psilídeo e as cochonilhas, insetos que podem comprometer severamente a qualidade dos frutos e a saúde das árvores.

Além da citricultura, o Manejo Integrado de Pragas (MIP) em lavouras de soja tem favorecido a presença desses predadores. O MIP é um sistema que associa diferentes técnicas de controle para manter as pragas abaixo do nível de dano econômico.

De acordo com Erica Ybarra, chefe da CATI Regional de Araraquara, as áreas de cultivo orgânico também registram maior concentração de joaninhas. Nesses locais, a ausência de defensivos agressivos permite que o equilíbrio biológico se estabeleça de forma mais robusta.

Flores atraem e mantêm insetos na lavoura

Para garantir que as joaninhas permaneçam nas plantações, os produtores têm adotado o plantio de flores ricas em pólen e néctar. Essas plantas funcionam como um refúgio e fonte de alimento suplementar para os insetos em períodos de escassez de pragas.

Terezinha Monteiro explica que a diversidade vegetal garante a sobrevivência e a reprodução das joaninhas na área. "Essas plantas servem como abrigo, promovendo um ambiente adequado que favorece a permanência delas no campo", destaca a pesquisadora.

Essa integração entre diferentes espécies vegetais potencializa a proteção natural. Ao investir na conservação desses pequenos besouros, o produtor rural garante uma lavoura mais equilibrada e resiliente aos desafios fitossanitários do dia a dia.