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Laticínios registram alta na captação de leite, mas produtores diminuem

Grandes empresas capturaram 11 bilhões de litros em 2025; aumento da produtividade nas fazendas explica o crescimento do setor

Da redação
DA REDAÇÃO

26/03/2026 • 09:42 • Atualizado em 26/03/2026 • 09:42

Resumo

O setor de laticínios brasileiro registrou crescimento de 6,5% na captação de leite em 2025, totalizando 11 bilhões de litros coletados pelas maiores empresas do país, apesar da redução de 3% no número de fornecedores rurais.

A produtividade das fazendas aumentou 12%, concentrando a produção em menos propriedades, enquanto a saída de pequenos e médios produtores foi motivada pelos baixos preços pagos ao leite, dificultando a permanência desses pecuaristas na atividade.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Senar e instituições de pesquisa, iniciou um levantamento detalhado de custos de produção para auxiliar produtores, e a Aprosoja Mato Grosso pediu ao Ministério da Agricultura medidas urgentes para renegociação de dívidas e melhores condições de crédito aos agricultores de grãos.

O setor de laticínios no Brasil registrou um crescimento expressivo na captação de leite em 2025. De acordo com dados do levantamento setorial, as maiores empresas do país capturaram 11 bilhões de litros, o que representa uma alta de 6,5% em comparação ao ano de 2024. O desempenho positivo, no entanto, contrasta com a redução no número de fornecedores no campo.

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Produtividade compensa saída de produtores

O avanço no volume capturado foi impulsionado por 13 das 17 principais empresas de laticínios do Brasil. O fator determinante para esse resultado foi o crescimento de 12% na produtividade das fazendas. Isso significa que, embora o volume total de leite produzido tenha aumentado, ele está concentrado em um número menor de propriedades mais eficientes.

Por outro lado, o número de fornecedores de leite registrou uma queda de 3% no primeiro período analisado. Segundo a análise do setor, essa redução é fruto dos baixos preços pagos ao produtor rural, o que tem desestimulado a permanência de pequenos e médios pecuaristas na atividade leiteira.

Levantamento de custos no campo

Para auxiliar na gestão das propriedades e entender melhor as margens do produtor, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) iniciou o levantamento de custos de produção do projeto Campo Futuro. A iniciativa ocorre em parceria com o Senar e instituições de pesquisa, visando gerar dados estratégicos para o setor.

Esta semana, os painéis do projeto acontecem no Mato Grosso do Sul, Paraná e Bahia. Além da pecuária de leite, o foco abrange cadeias como eucalipto, cana-de-açúcar, café, cacau e mamão. Ao longo de 2025, estão previstos 145 painéis distribuídos por 23 estados brasileiros.

O "custo de produção" refere-se à soma de todos os gastos necessários para produzir o leite, desde a alimentação do rebanho e medicamentos até a manutenção de máquinas e mão de obra. Ter esse dado na ponta do lápis é essencial para o produtor negociar preços e garantir a sobrevivência do negócio.

Aprosoja cobra medidas contra endividamento

Enquanto o setor de laticínios lida com a concentração da produção, os agricultores de grãos enfrentam desafios financeiros. A Aprosoja Mato Grosso cobrou formalmente do Ministério da Agricultura medidas urgentes para enfrentar o endividamento no campo.

A entidade defende a liberação de mais recursos para a renegociação de dívidas e a oferta de linhas de crédito com juros adequados à realidade do produtor rural. Segundo a associação, o acesso ao crédito tradicional tem diminuído, enquanto cresce a dependência de linhas de financiamento mais caras, o que compromete a rentabilidade da safra.