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Mais sete pessoas são intoxicadas após consumirem falsa-couve em Minas

Falsa couve é confundida com hortaliça, não pode ser consumida e é altamente tóxica

VIVIANE TAGUCHI

17/10/2025 • 12:35 • Atualizado em 17/10/2025 • 12:35

Falsa-couve se parece com a couve-manteiga

Falsa-couve se parece com a couve-manteiga

Divulgação/UFU

O prefeito de Santa Vitória, cidade de Minas Gerais, Sérgio Moreira de Oliveira, foi ao Instagram comunicar que mais sete pessoas, moradoras da cidade, estão intoxicadas após consumirem falsa-couve. Na semana passada, quatro pessoas já haviam sido hospitalizadas após comerem a planta, que se parece com couve, mas é um tipo de planta usada para fazer cigarros.

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O nome verdadeiro da planta é Nicotiana glauca. Em algumas regiões, a planta é conhecida como Fumo Bravo ou Charuto Rei. A Embrapa classifica a espécie como uma planta invasora.

De acordo com o prefeito, nesta semana, sete casos confirmados e quatro ocorreram entre pessoas da mesma família. Pelo menos duas dessas pessoas tiveram quadro grave de intoxicação, mas todos passam bem após serem atendidos na rede de saúde do município. No início desta semana, uma mulher que estava internada, após consumir falsa couve, morreu.

O político usou as redes para fazer um apelo à população:

“Até agora já temos 7 casos confirmados e suspeitamos que muitas pessoas possam cultivar essa planta altamente tóxica em casa. Evitem o consumo ou o seu cultivo, não façam a sua ingestão como alimento nem como chá, há risco de intoxicação grave e até mesmo risco de morte!”

Falsa-couve é prima do tabaco e altamente tóxica

A Nicotiana glauca é uma planta originária da Argentina e é usada principalmente para fumo. No Brasil, a planta foi aclimatada no Cerrado e é chamada popularmente de "fumo bravo" ou "charuto do rei". A planta, que cresce espontaneamente em áreas urbanas e rurais, se assemelha à aparência da couve-manteiga (Brassica oleracea), sendo colhida indevidamente para o consumo.

De acordo com informações da Associação Brasileira de Fitoterapia (ABFIT), a espécie possui nicotina, nornicotina e anabasina, entre outros alcaloides. Essas substâncias, quando ingeridas, agem diretamente no sistema nervoso central e pode provocar a morte das células.

O componente mais tóxico é a anabasina, que pode causar paralisia muscular e parada respiratória. Um outro alcaloide presente, a escopoletina, tem ação sobre a coagulação sanguínea, reduzindo a coagulação, podendo até provocar hemorragia gástrica em alguns casos. “A anabasina tem uma estrutura química muito semelhante à nicotina, porém, é muito mais tóxica”, explica Amanda Danuello, professora do Instituto de Química da Universidade Federal de Uberlândia (IQ/UFU). “Ela [anabasina] age no sistema nervoso, provocando taquicardia, tremores e, em casos graves, paralisia dos músculos respiratórios”, completa.

Estudos indicam que cerca de 30 miligramas (0,03 g) de anabasina podem ser suficientes para matar um adulto. Poucas folhas já podem conter uma dose perigosa e, por isso, é importante reforçar que não existe quantidade segura de “falsa couve” para consumo.