
Tilápia representa 94% do total das exportações de peixes do Brasil
Jefferson Christofoletti/Embrapa
Resumo
Desafios no setor de tilápias no Brasil - O setor enfrenta dificuldades como a importação de tilápias do Vietnã, que afeta a competitividade do produto nacional, e o tarifaço imposto pelos EUA, que aumenta custos para os produtores brasileiros. Além disso, um estudo do Ministério do Meio Ambiente classificou a tilápia como espécie invasora, o que pode levar a medidas severas de controle.
Reações dos produtores - A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) expressou preocupação com as recentes decisões governamentais, que incluem a importação de tilápias e a classificação da espécie como invasora. Alegam que tais medidas prejudicam a produção nacional e ignoram o impacto socioeconômico no setor.
Classificação de tilápias como invasoras - A proposta do Ministério do Meio Ambiente de classificar a tilápia como invasora coloca a espécie em um patamar de alerta similar ao javali. Essa classificação, se aprovada, pode resultar em estratégias de erradicação da espécie em certas áreas, o que tem gerado controvérsia e pedidos por debates técnicos mais aprofundados.
O setor de produção de tilápias no Brasil - peixe criado em cativeiro e o mais consumido no país - vem enfrentando desafios que esbarram nas ações do governo. Uma das maiores polêmicas foi a liberação, por parte do Ministério da Agricultura, da importação de tilápias produzidas no Vietnã. Essa ação, segundo os produtores tira a competitividade do produto nacional no mercado brasileiro. Mas os problemas vão além e também incluem o tarifaço de Donald Trump e agora, um estudo do Ministério do Meio Ambiente que classificou a tilápia como uma espécie invasora, igual ao javali.
A classificação revoltou os produtores do setor. Em nota, a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) manifestou preocupação: “[O governo tomou] uma série de decisões recentes que impactam diretamente o setor produtivo nacional. Entre elas, se destaca a liberação da importação de tilápias do Vietnã pelo governo brasileiro, em um momento de uma supersafra e preços baixos”. De acordo com a PeixeBR, a importação causou um desequilíbrio no mercado interno e os produtores nacionais, prejuízos.
“Na sequência, houve o anúncio do aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos à tilápia brasileira, medida que transfere todo o ônus e custos para o produtor nacional, enquanto as negociações ainda estão em fase inicial”. Segundo a associação, o plano emergencial do governo [Brasil Soberano] não está chegando aos produtores que mais necessitam.
Tilápia e javali são iguais?
De acordo com a PeixeBR, a situação do setor se agravou severamente nas últimas semanas, a partir de um comunicado oficial do Ministério do Meio Ambiente (MMA), apresentado pela Secretaria de Biodiversidade durante a reunião do CONAPE/MPA, no dia 3 de outubro de 2025. Na ocasião, foi apresentado a minuta do CONABIO que inclui a tilápia, peixes nativos fora de suas bacias hidrográficas de origem, espécies híbridas e de camarões na lista de espécies exóticas invasoras.
A classificação como “invasora” coloca essas espécies no mesmo patamar de alerta e controle como o javali, tendo como parte da estratégia apresentado pela Secretária de Biodiversidade do MMA, a erradicação, caso a proposta seja aprovada na próxima reunião da CONABIO/MMA em 8/11.
Apesar da revolta, é importante salientar que a tilápia é uma espécie exótica, originária da África e do Oriente Médio, onde era cultivada pelos egípcios há milhares de anos. No entanto, devido à sua alta capacidade de adaptação e crescimento rápido, a espécie foi introduzida em aquiculturas ao redor do mundo e hoje é produzida em grande escala no Brasil, em tanques-rede instalados em reservatórios de hidrelétricas, em diversas regiões.
No eentanto, a associação que representa os produtores afirma que a fundamentação do MMA precisa ser debatida. “Um debate técnico amplo e de estudos atualizados e imparciais. Decisões dessa magnitude não podem desconsiderar o impacto socioeconômico para milhares de famílias que vivem da piscicultura”.
Para a associação, a ciência deve andar junto com a realidade social e econômica brasileira, assegurando a sustentabilidade ambiental sem comprometer o desenvolvimento produtivo. “ E, neste momento, diversas parcerias estão sendo realizadas para demonstrar que esse caminho não representa o equilíbrio necessário. A minuta apresentada não oferece prazo adequado para defesa do setor haja vista que o MMA está fazendo esses estudos desde 2009”.
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