
O segredo da jabuticaba: da casca ao superalimento que previne doenças
Emater/GO
Uma fruta que brota direto do tronco, nativa do Brasil, está sendo elevada ao status de superalimento por suas propriedades benéficas à saúde. Pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) identificaram na casca da jabuticaba, muitas vezes descartada, uma alta concentração de compostos com poder antioxidante e anti-inflamatório, associados à prevenção de doenças crônicas.
A jabuticabeira é conhecida por uma característica peculiar chamada caulifloria, fenômeno que faz com que suas flores e frutos surjam diretamente no tronco e nos galhos mais grossos. Tradicionalmente cultivada em quintais e pomares domésticos, a fruta agora ganha destaque no cenário científico e comercial, impulsionada por novas descobertas sobre seu potencial nutricional e funcional.
Casca poderosa: o superalimento escondido
O principal foco das pesquisas da Embrapa Florestas está na casca da jabuticaba. Estudos revelaram que essa parte da fruta é rica em antocianinas, pigmentos responsáveis pela cor roxa escura e que possuem uma elevada capacidade antioxidante. Esses compostos bioativos são apontados como aliados na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis.
Segundo os levantamentos da estatal, o consumo regular de alimentos ricos em antocianinas pode ajudar a combater processos inflamatórios e o estresse oxidativo no corpo, fatores ligados ao desenvolvimento de condições como o diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Com isso, a jabuticaba se alinha ao conceito de "superalimento", designação dada a alimentos de alta densidade nutricional e com benefícios comprovados à saúde.
Do quintal ao cultivo comercial
Historicamente, o cultivo de jabuticaba era marcado pela paciência, já que as variedades tradicionais podem levar de 10 a 15 anos para começar a produzir. Para viabilizar a produção em larga escala, a Embrapa desenvolveu e disponibilizou tecnologias que aceleram esse processo, transformando o que era um hobby de quintal em uma oportunidade de negócio.
Um dos principais avanços é o cultivar 'Embrapa BRS Tupi', uma jabuticabeira híbrida que se destaca pela precocidade. "Embora a maior parte da produção de jabuticaba ainda se encontre em pomares domésticos, quintais e pomares não comerciais, a Embrapa tem disponibilizado tecnologias para viabilizar o cultivo comercial, a exemplo de cultivares melhorados como a ‘BRS Tupi’, que é um híbrido com produção mais precoce, frutos maiores, mais doces e de casca mais fina", informa a estatal. Essa variedade pode iniciar sua produção em um período de apenas dois a quatro anos após o plantio.
Produção pulverizada e novos mercados
Apesar do crescente interesse, ainda não existem dados estatísticos consolidados sobre a produção nacional, área plantada ou volume de exportação da jabuticaba. Informações de portais como Conab, IBGE e associações de fruticultura não destacam a fruta em seus principais levantamentos de safra. Isso sugere que a maior parte da produção continua pulverizada e destinada principalmente aos mercados locais e ao autoconsumo.
O potencial econômico, no entanto, vai além do consumo da fruta fresca. Pesquisas da Embrapa também exploram o aproveitamento integral da jabuticaba. A casca rica em compostos funcionais pode ser transformada em farinhas, corantes naturais para a indústria alimentícia e matéria-prima para o desenvolvimento de produtos nutracêuticos e cosméticos, agregando valor e abrindo novas frentes de mercado para a fruta brasileira, que tem em Goiás o maior pomar do mundo.
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