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Pênis e bucho viram itens de luxo na pauta de exportação para a China

Miúdos ajudaram o setor de carne bovina a alcançar números recordes de exportação em 2025; produtos são culturalmente demandados na Ásia

Da redação
DA REDAÇÃO

28/01/2026 • 17:02 • Atualizado em 28/01/2026 • 17:02

Pênis, bucho, pés de frango fazem sucesso na China

Pênis, bucho, pés de frango fazem sucesso na China

Daniel Fagundes/Trilux

O ano de 2025 entrou para a história da pecuária brasileira não apenas pelo volume recorde de proteína enviada ao exterior, mas por uma mudança estratégica na rentabilidade dos frigoríficos: a valorização extrema das miudezas. Enquanto os cortes nobres mantêm sua fatia de mercado, itens como o vergalho (pênis bovino) e o bucho deixaram de ser subprodutos de baixo valor para se tornarem protagonistas na balança comercial com a Ásia. A demanda por cortes não tradicionais no Ocidente fazem sucesso por questões culturais e medicinais, principalmente.

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De acordo com dados da Abrafrigo, o Brasil encerrou 2025 com um embarque total de 2,5 milhões de toneladas de carne bovina, um salto de 8% em relação ao ano anterior. Esse desempenho gerou uma receita astronômica de US$ 11,5 bilhões. O grande motor dessa engrenagem continua sendo a China, que sozinha absorveu 1,1 milhão de toneladas (44% das exportações totais).

Dentro desse montante, o segmento de miudezas revelou-se uma "mina de ouro" logística. De acordo com o Cepea, o preço médio da tonelada desses subprodutos para o mercado asiático subiu 12% em apenas um ano.

Essa valorização não é por acaso. A habilitação de novas plantas frigoríficas brasileiras, com protocolos sanitários específicos para o mercado chinês, permitiu que o Brasil passasse a exportar itens que antes eram destinados apenas à indústria de ração animal ou pet snacks.

Vergalho bovino faz sucesso na China

Apesar do sucesso comercial, o setor ainda carece de dados ultra-específicos. Como o sistema Comex Stat (MDIC) agrupa diversos itens sob o mesmo código (NCM 0206), o volume exato de vergalho exportado é calculado via estimativas de associações como o IMAC (Instituto Mato-grossense da Carne). O que é certo, porém, é que a eficiência máxima do boi — o aproveitamento do "focinho ao rabo" — nunca foi tão lucrativa para o pecuarista e para a indústria brasileira. Na China, o item é valorizado por:

Cultura e Medicina: Crenças em propriedades afrodisíacas e restauração de energia.

Gastronomia de Luxo: Pratos em restaurantes especializados que podem custar até US$ 200 a porção.

Enquanto no Brasil o quilo é negociado a preços populares, no mercado asiático a tonelada do vergalho pode atingir US$ 6.000, aproximando-se do valor de cortes de alta qualidade.

O "Ouro Branco" da gastronomia chinesa

Enquanto no Brasil o bucho bovino é elegado a pratos populares ou à indústria de processados, na China ele atravessou a fronteira do descarte para se tornar um verdadeiro item de luxo. Em 2025, o chamado omaso (popularmente conhecido como "folhoso") consolidou-se como um dos subprodutos mais rentáveis para os frigoríficos brasileiros, atingindo a prestigiosa classificação "Grau A" em mercados exigentes como Hong Kong e Guangzhou.

A valorização extrema deste corte não é por acaso. O bucho possui uma textura única: é levemente crocante e, devido à sua estrutura porosa, tem uma altíssima capacidade de absorver caldos e especiarias. Essas características o tornam o ingrediente estrela do Hot Pot (huǒguō), a tradicional cozinha de imersão onde fatias finas de omaso são mergulhadas em caldos ferventes e picantes. Em restaurantes especializados de Pequim e Xangai, o bucho brasileiro é disputado e figura entre os itens mais caros do cardápio.O padrão de limpeza e o tamanho do omaso brasileiro são os diferenciais que garantem ao país um prêmio de preço.

Pé e asa de frango

A China é o principal destino das miudezas de frango brasileiras, com destaque absoluto para os pés de galinha (chicken paws), que representam a maior fatia em volume e valor. Além dos pés, o Brasil exporta asas (incluindo a ponta da asa), moelas, corações e fígados, embora em volumes menores comparados às patas.

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