Resumo
O reconhecimento da pesca artesanal com auxílio de botos como patrimônio cultural imaterial brasileiro foi oficializado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), valorizando uma tradição exclusiva de colaboração entre pescadores humanos e animais silvestres nas regiões de Laguna (SC) e Tramandaí (RS).
A prática, passada por gerações, envolve botos que cercam cardumes e sinalizam o momento exato para o lançamento das redes, sendo fundamental para o sustento de comunidades costeiras e destacando a importância do saber histórico e da preservação ambiental local.
A pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) avalia a aceitação da carne de peixe cultivada em laboratório entre consumidores brasileiros, investigando barreiras culturais e o potencial de mercado, enquanto aponta a biotecnologia como alternativa sustentável para suprir a demanda alimentar e reduzir a pressão sobre recursos naturais.
A pesca artesanal com o auxílio de botos no Sul do Brasil é agora, oficialmente, patrimônio cultural imaterial do país. O reconhecimento foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), valorizando uma prática única de interação entre humanos e animais silvestres.
O registro histórico destaca uma tradição passada por gerações, na qual os botos indicam aos pescadores o momento exato de lançar as redes. Segundo informações do programa AgroBand, essa colaboração mútua é essencial para o sustento de diversas comunidades costeiras da região Sul.
Tradição e cooperação na foz dos rios
A prática acontece principalmente na foz de rios de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. As regiões de Laguna (SC) e Tramandaí (RS) são os principais palcos dessa atividade, onde os pescadores aguardam o sinal dos animais para realizar o cerco aos peixes.
Nessa dinâmica, os botos cercam os cardumes e os empurram em direção à margem. O movimento característico do animal na superfície serve como uma "senha" para os trabalhadores, garantindo que a rede seja lançada com precisão no local onde o pescado está concentrado.
Embrapa pesquisa aceitação de peixe de laboratório
Paralelamente à valorização da pesca tradicional, a tecnologia busca novos horizontes para a proteína aquática no Brasil. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) iniciou uma pesquisa para avaliar a aceitação da carne de peixe produzida em laboratório.
A tecnologia utiliza uma pequena amostra de células de peixe, que são cultivadas em ambiente controlado para formar o tecido. O processo ocorre sem a necessidade de criação extensiva ou abate de animais, sendo uma aposta para a segurança alimentar sustentável.
Entenda o impacto do levantamento
O levantamento conduzido pela Embrapa busca entender se os consumidores brasileiros teriam interesse em experimentar esse tipo de produto inovador. A iniciativa foca em identificar barreiras culturais e o potencial de mercado para a carne cultivada no país.
Especialistas apontam que, enquanto a pesca artesanal preserva o saber histórico e o equilíbrio ambiental local, a carne de laboratório surge como uma alternativa complementar para atender à crescente demanda global por alimentos, reduzindo a pressão sobre os oceanos e rios.
O agronegócio e a pesca nacional seguem assim em duas frentes: de um lado, a proteção do patrimônio e da cultura imaterial; de outro, o investimento em biotecnologia e inovação científica para o futuro do setor.
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